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Recebemos uma carta assinada pela diretoria de mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE) repudiando o ato da Universidade Bandeirantes (Uniban) que decidiu, pasmem, expulsar a estudante de turismo hostilizada, humilhada e atacada pelos colegas de curso por ter ido à aula usando uma minissaia. Reproduzimos a íntegra da carta, pois o alerta da UNE nos dá muito no que pensar enquanto sociedade (incluindo o papel da imprensa, que se arvora o título de representante da população), confiram:

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*UNE repudia expulsão da estudante de Turismo da UNIBAN

Diretoria de Mulheres divulga nova nota sobre o caso de machismo da UNIBAN

Episódio de violência sexista acaba em mais uma demonstração de machismo

No dia 22 de outubro, o Brasil assistiu cenas de selvageria. Uma estudante de turismo da Universidade Bandeirante (São Paulo) foi vítima de um dos crimes mais combatidos na sociedade, a violência sexista, que é aquela cometida contra as mulheres pelo fato de serem tratadas como objetos, sob uma relação de poder desigual na qual estão subordinadas aos homens. Nesse episódio, a estudante foi perseguida e agredida pelos colegas, hipoteticamente pelo tamanho de vestido que usava, e só pôde deixar o campus escoltada pela polícia. Alguns dos alunos que a insultaram gritavam que queriam estuprá-la. Desde quando há justificativa para o estupro ou toleramos esse tipo de violência?

Pasmem, essa história absurda teve um desfecho ainda mais esdrúxulo. A Universidade, espaço de diálogo onde deveriam ser construídas relações sociais livres de opressões e preconceitos, termina por reproduzir lamentavelmente as contradições da sociedade, dando sinais de que vive na era das cavernas.

Além de não punir os estudantes envolvidos na violência sexista, responsabiliza a aluna pelo crime cometido contra ela e a expulsa da universidade de forma arbitrária, como se dissessem que, para manter a ordem, as mulheres devem continuar no lugar que estão, secundárias à história e marginalizadas do espaço do conhecimento.

É naturalizado, fruto de uma construção cultural, e não biológica, que os homens não podem controlar seus instintos sexuais e as mulheres devem se resguardar em roupas que não ponham seus corpos à mostra. Os homens podem até andar sem camisa, mas as mulheres devem seguir regras de conduta e comportamento ideais, a partir de um padrão estético que a condiciona a viver sob as rédeas da sociedade, que por sua vez é controlada pelos homens.

Esse desfecho, somado às diversas abordagens destorcidas do fato na mídia, demonstram a situação de opressão que todas nós, mulheres, vivemos em nosso cotidiano. Situação em que mulheres e tudo o que está relacionado a elas são desvalorizados e depreciados. A mulher é vista como uma mercadoria – ora utilizada para vender algum produto, ora tolhida de autonomia e direitos, ora violentada, estigmatizada e depreciada. É essa concepção que acaba por produzir e reproduzir o machismo, violência e sexismo, próprios do patriarcado. Tal concepção permitiu o desrespeito a estudante.

Nós, mulheres estudantes brasileiras, em contraposição a essa situação, estamos constantemente em luta até que todas as mulheres sejam livres do machismo, da violência, do desrespeito e da opressão que nos cerca.

Repudiamos o ato de violência dos alunos contra a estudante de turismo, repudiamos a reação da mídia que insiste em mistificar o fato e não colocar a violência de cunho sexista no centro do debate e denunciamos a atitude da universidade de punir a estudante ao invés daqueles que provocaram tal situação.

Exigimos que a matrícula­ da estudante seja mantida, que a Universidade se retrate publicamente e que todos os agressores sejam julgados e condenados não somente pela instituição, a Uniban, mas também pela Justiça brasileira.

Somos Mulheres e Não Mercadoria!

*Diretoria de Mulheres da UNE -União Nacional dos Estudantes

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Leia também:

>>O que Mary Quant diria sobre os universitários do ABC?

 

sol

Doenças de pele e oculares aumentam durante o Verão devido a maior incidência dos raios solares sobre o planeta

A matéria que publicamos abaixo foi encaminhada ao blog pela equipe do Instituto de Moléstias Oculares (IMO) e preparado sob a orientação de oftalmologistas. Trata-se de uma série de dicas de como se proteger, principalmente aos olhos, durante o Verão, para evitar tanto lesões na córnea, que podem provocar cegueira, quanto para evitar longas horas de exposição da pele aos raios UVA e UVB, que causam desde envelhecimento precoce até câncer de pele. Todo ano, quando chega o Verão, multiplicam-se matérias desta natureza em estações de rádio e TV, sites e veículos impressos. Não é falta de criatividade da imprensa, é necessidade de alertar a população para doenças que poderiam ser facilmente evitadas com um pouco de precaução, mas que tornam-se problema de saúde pública. É um lembrete anual de Verão, dada a natureza humana de sempre achar que as coisas acontecem com o vizinho e não consigo. Vejo algumas cenas nas praias de Salvador, por exemplo, que são de uma irresponsabilidade enorme: mães que deixam os filhos pequenos torrando no sol a pino do meio-dia, mulheres que pela vaidade de exibir o bronzeado mais bonito da estação, abrem mão do protetor solar e ainda abusam e lambuzam-se de bronzeadores, que potencializam os efeitos do sol. Nas ruas da cidade, Salvador é uma das capitais que tem altissima incidência de raios ultra-violeta devido às suas coordenadas geográficas, quem abusa das camisetas nos dias de calor, por exemplo, esquece de proteger as partes descobertas da pele. Por isso,  meninas e meninos, atenção aos alertas do IMO:

Verão: saiba proteger os olhos adequadamente

Pterígio é uma das doenças provocadas pelo excesso de exposição ao Sol. Saiba mais vendo vídeo no final do post

Pterígio é uma das doenças causadas pelo excesso de exposição ao Sol. Veja vídeo sobre a doença, no final do post

Do envelhecimento precoce ao câncer de pele, o sol pode deixar de ser um aliado da saúde para transformar-se em vilão. Este é o alerta conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Sociedade Brasileira de Dermatologia e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, pois os profissionais de saúde sabem muito bem que o brasileiro cultiva o hábito de bronzear-se, e, quase sempre, expõe-se exageradamente ao sol, sem as devidas precauções, ou utilizando alternativas que trazem ainda mais danos à saúde, como o bronzeamento artificial.

“Apesar da radiação ultravioleta, UV, ter efeitos benéficos, em excesso, ela pode levar a uma variedade de problemas de saúde, incluindo câncer de pele e catarata. Ao atinigir a pele desprotegida, a radiação solar pode desencadear reações como queimaduras solares e fotoalergias. Os raios UV – devido ao efeito cumulativo da radiação durante a vida – são os responsáveis também pelo envelhecimento cutâneo e pelas alterações celulares que predispõem ao câncer da pele”, explica o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Quando o assunto é exclusivamente a saúde ocular, a exposição, sem proteção, a quantidades excessivas de radiação UV por um curto período de tempo, pode causar ceratite, uma espécie de “queimadura da córnea” que causa dor, vermelhidão, lacrimejamento, fotofobia e sensação de areia nos olhos. “O maior risco para os olhos se encontra na exposição prolongada ao sol, que por sua vez, pode ser mais perigosa. A incidência direta dos raios ultravioleta no olho humano, ocasiona lesões oculares, que gradual e cumulativamente, podem resultar na perda total da visão. As lesões oculares mais comuns causadas pelo excesso de sol são a queda da percepção de detalhes pela mácula  e a formação da catarata, problema ocular grave, de maior incidência no mundo”, destaca Centurion.

Como proteger os olhos?

- Óculos de sol na piscina, na praia ou no dia-a-dia

Especialistas recomendam óculos de sol de lentes marrons, verdes ou pretas, que filtram melhor a luz e os raios UVA e UVB

Especialistas recomendam óculos de sol de lentes marrons, verdes ou pretas, que filtram melhor a luz e os raios UVA e UVB

Os efeitos da radiação UV são cumulativos. Quanto mais os olhos são expostos aos raios UV, maiores serão os riscos do desenvolvimento de uma moléstia, com o passar dos anos. “É aconselhável, portanto, o uso de óculos escuros de boa qualidade e que ofereçam proteção adequada aos olhos, não apenas durante o verão, e sim durante todo o ano”, defende a oftalmologista Fernanda Takay, que também integra o corpo clínico do IMO.

Segundo a oftalmologista, a decisão de compra dos óculos de sol deve levar em consideração, primordialmente, o nível de proteção contra a radiação ultravioleta (UVA e UVB) que as lentes oferecem. “Esta informação deve estar disponível, no momento da compra, seja no adesivo afixado aos óculos ou em livretos contendo informações técnicas sobre o produto. O comprador deve exigir esta informação”, diz a médica.

“Bons óculos escuros devem bloquear entre 99-100% as radiações UV-A e UV-B; não devem distorcer imagens ou mudar as cores. Devem ter lentes cinzas, verdes ou marrons, capazes de filtrar entre 75-90% da luz visível. Os óculos de grau também devem ter proteção UV. Bonés, viseiras e chapéus oferecem proteção adicional, quando precisamos passar muitas horas sob a luz solar”, recomenda Fernanda Takay.

Mesmo os que decidem curtir o verão na sombra não estão livres de sofrer com a radiação solar que se reflete na água, na areia e no asfalto. Portanto, o uso de filtros solares embaixo do guarda-sol também é recomendável.

- Bronzeamento artificial é uma prática de risco

Câmaras de bronzeamento artificial são condenadas pelos médicos

Câmara de bronzeamento artificial é condenada pelos médicos

Muito em moda, nos dias de hoje, o bronzeamento artificial, é feito, principalmente, em clínicas de estética. “É importante esclarecer que o bronzeamento com luz artificial traz danos à pele e aos olhos desprotegidos, da mesma forma que a exposição à luz solar. O FDA (Food and Drug Administration), órgão americano que regulamenta medicamentos e alimentos, desaconselha o uso das lâmpadas de UVA com o objetivo de bronzeamento. A Sociedade Brasileira de Dermatologia também desaconselha esta prática, no Brasil”, diz a oftalmologista Fernanda Takay.

Para alcançar o mesmo efeito da luz solar, as camas ou cabines de bronzeamento têm que estimular a produção de melanina. Lâmpadas especiais, instaladas no interior dessas câmaras, emitem raios iguais aos do sol. Predominantes nos aparatos de bronzeamento artificial, os raios UVA têm um comprimento de onda mais longo (320 a 400 nm). Por isso, atingem mais profundamente a pele, penetrando na derme. Nesta camada, incidem sobre o colágeno. Assim, o usuário estará acelerando o desgaste das suas células. Resultado: envelhecimento precoce. Quanto aos raios UVB, por seu comprimento de onda (280 a 320 nm), estes não penetram tão profundamente. Mesmo assim, são os principais agentes causadores de câncer de pele e manchas.

“Os olhos também ficam expostos aos raios ultravioletas nas câmaras de bronzeamento artificial. Quando estamos sob lâmpadas de bronzeamento artificial, precisamos bloquear os raios UV. Neste caso, os óculos de sol não resolvem. Devemos, sempre, utilizar óculos especiais de proteção para o bronzeamento”, orienta a oftalmologista Fernanda Takay.

Saiba mais:

>>Veja no site do IMO um filme sobre o pterígeo, doença ocular provocada pelo excesso de exposição solar. Clique aqui para acessar o vídeo.

*Material preparado pela equipe de Oftalmologia do IMO e enviado ao blog pela MW Consultoria de Comunicação.

Moças e rapazes, nesta sexta-feira, o site Rexonna Women publicou o perfil de mais uma das autoras deste singelo blog. Depois de Alane Virginia ter sido “biografada” no mês de outubro, desta vez a equipe RW publicou o meu perfil e foi uma coincidência muito bacana, porque hoje escolhi falar justamente sobre biografias na série Traça de Biblioteca, no post abaixo. Embora eu não seja nenhuma celebridade e nem tenha a pretensão de tornar-me uma, quem quiser conferir um pouco da intimidade do meu dia-a-dia, eis o link do perfil. Vale lembrar que ficamos muito honradas com o convite da equipe RW porque é um reconhecimento ao nosso esforço em fazer um trabalho sério aqui no blog. Se somos consideradas “formadoras de opinião”, com toda certeza, esse mérito é tanto nosso quanto de vocês, nossos leitores queridos, que visitam a página, mandam email, nos seguem via twitter, deixam sugestões, críticas pertinentes, participam do debate com tanto empenho e nos ensinam tanto nesse processo de enriquecimento pessoal e social diário que é manter um blog. Obrigada!

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Em tempo:

Para acessar o perfil de Alane Virginia no site Rexonna Women, cliquem aqui.

A série Traça de Biblioteca nesta semana, indica algumas biografias recentemente lançadas pelo mercado editorial brasileiro. Em destaque para os amantes da música lírica, o livro sobre a vida de Maria Callas. Já os fãs incondicionais do rock ´n roll podem aprender mais sobre duas bandas que são emblemáticas em momentos distintos deste movimento musical e cultural: Led Zepellin e Beatles. Além claro, de conhecer um pouco da vida do baiano Raul Seixas, guru do rock nacional. Para não dizer que não falei de literatura, as dicas de hoje começam com a biografia de Jorge Luis Borges. Confiram:

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VIDA E OBRA DE JORGE LUIS BORGES

arq_1480_27179A escritora Solange Fernández Ordóñez, autora de O olhar de Borges – Uma biografia sentimental, foi buscar em um conjunto de cadernos manuscritos utilizados pelo escritor ao longo de 20 anos,  as referências para desvendar a alma do autor. A autora também conta com depoimentos da mãe de Bprges, Leonor Acevedo Borges, e uma seleção que o próprio Borges fez, em diferentes momentos de sua vida, dos acontecimentos relevantes de sua infância e registros de seus comentários entre amigos, em palestras e entrevistas para a imprensa. Menos voltado aos fatos e mais para como se construiu o Borges literário, o livro mostra como “a vida de Borges vai se construindo de forma justaposta com o cansativo trabalho poético, sem deixar em sua escritura, embora pareça estranho, maiores resquícios por onde espiar sua intimidade”.

Autora: Solange Fernández Ordóñez

Tadução: Cristina Antunes

Autêntica Editora

248 páginas

Preço: R$ 43,00

borges2Em tempo: Para quem quer saber mais sobre o escritor, outro livro é  Século de Borges, de Eneida Maria de Souza, que chega ao mercado em sua 2ª edição, revista e ampliada. A autora é professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais e uma das maiores críticas literárias em atividade no país. A publicação recria e reconta o universo de Borges a partir de determinadas situações vividas pelo autor.

Autora: Eneida Maria de Souza

Autêntica Editora

112 páginas

Preço: R$ 27,00

O RAUL SEIXAS QUE OS FÃS NÃO CONHECEM

RAUL Raul Seixas-Metamorfose ambulante é escrito por Mário Lucena, Laura Kohan e Igor Zinza, com coordenação de Sylvio Passos, presidente do fã-clube do cantor. O livro mostra um Raul que os fãs não conheceram. Seu fascínio por filosofia, a inspiração para músicas que revolucionaram o rock nacional, e a criação do “Maluco Beleza”, reverenciado por antigos e novos admiradores. Sylvio Passos conviveu nove anos com Raul Seixas e revela que o músico tinha uma relação profunda com a filosofia de Schopenhauer, Crowley e Sartre.

Autores – Mário Lucena, Laura Kohan e Igor Zinza

Coordenação – Sylvio Passos

Editora: B&A

260 páginas

Preço: RS 29,90

A DIVA CALLAS

Maria CallasA vida de Maria Callas, a maior soprano de todos os tempos, foi um dos grandes mitos do século XX. Boa parte da atração que ela exerce tem origem em sua biografia, permeada por feitos espetaculares e por escândalos. Em Orgulhosa demais, frágil demais,  o jornalista Alfonso Signorini narra a trajetória da jovem sem graça que começou a carreira em bares de Nova York e se tornou uma diva disposta a renunciar à carreira magnífica por amor. Seu romance com o milionário Aristóteles Onassis esteve estampado na imprensa, sobretudo quando ele a deixou para se casar com Jaqueline Kennedy, inaugurando uma fase de clausura e tristeza que culminou na morte da cantora.

Alfonso Signorini

Tradução de Joana Angélica d’Avila Melo

Grupo Editorial Record/Editora Record

304 páginas

Preço: R$ 39,90

OS BEATLES, A GRÃ-BRETANHA E OS EUA

cant beatlesOs Beatles se transformaram em assunto inesgotável. Centenas de livros, artigos e matérias já foram publicados sobre eles. Can’t buy me love é um livro sobre os Beatles, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos nos vinte e cinco anos que se seguiram ao fim da II Guerra Mundial. Fruto de quase vinte anos de pesquisa, o autor Jonathan Gould, que também é músico,  situa o Fab Four no amplo e tumultuado panorama de seu tempo e espaço e enraíza a história da banda no contexto social que envolveu tanto a ascensão quanto a dissolução dela. Tomando como ponto de partida a adolescência dos Beatles em Liverpool, Gould descreve as influências seminais – de Elvis Presley e Chuck Berry a The Goon Show e Alice no país das maravilhas – que os moldaram como indivíduos e como banda.

Autor: Jonathan Gould

Tradução: Candombá

Editora: Larousse do Brasil

752 páginas

Preço: R$ 99,00

QUANDO OS GIGANTES CAMINHAVAM SOBRE A TERRA

led-zeppelinBaixa2Jimmy Page é o pai do Led Zeppelin, talvez a maior e mais poderosa banda de rock de todos os tempos. O termo heavy metal foi usado por ele para definir o som pesado que a banda fazia. Logo se transformou num gênero musical. Led Zeppelin – Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra é um documento primoroso da época em que jovens como Keith Richards, Mick Jagger, Paul McCartney, John Lennon, Keith Moon,  Jimmi Hendrix, Eric Clapton  e Jimmy Page reinavam como deuses. Tudo começou com o término do Yardbirds, banda na qual Jimmy Page havia tocado (Eric Clapton e Jeff Beck  também passaram por ela). O ano era 1968 e Page planejou formar o New Yardbirds. Um amigo, o baixista John Paul Jones se interessou pelo projeto. Chamaram para os vocais, Jerry Reid, que sugeriu outro vocalista, Robert Plant, que introduziu à banda o baterista John “Bonzo” Bonham, com quem já havia tocado antes. Foi no ano seguinte, 1969, que os criadores do heavy metal lançaram seu primeiro álbum, Led Zeppelin. Curiosamente, o insight para o nome da banda não partiu de nenhum integrante do Led, mas sim do baterista do The Who, Keith Moon.  Escrito pelo respeitado biógrafo e crítico musical Mick Wall, o livro está organizado em ordem cronológica, e explora os quatro membros da banda e o empresário Peter Grant’s, um ex-lutador profissional que intimidava com seu tamanho aqueles que se saíssem mal em alguma negociação. Foi dele o mérito de conseguir um contrato para gravação com a Atlantic Records antes mesmo que os executivos da gravadora tivessem ouvido a banda tocar. Além disso, antes que o primeiro álbum estivesse prensado, o Led já estava excursionando pelos EUA. A obra é resultado de anos de pesquisa e se baseia não apenas em entrevistas individuais com todos os membros do grupo – além de outras feitas por pessoas que os conheciam e trabalhavam com eles – , mas também inclui muito da visão de Wall, profissional que passou três décadas no meio musical ao lado das maiores estrelas do rock.

Autor: Mick Wall

Tradução: Elvira Serapicos

Editora: Larousse do Brasil

550 páginas

Preço: R$ 99,00

O artigo que publicamos hoje é de autoria do advogado especialista em direito penal Antonio Gonçalves. No texto, ele analisa o projeto de lei que visa atenuar a pena para pequenos traficantes de drogas, teoricamente aqueles que não estariam ligados ao crime organizado. A justificativa do governo é que dessa forma se evitaria a contaminação dos pequenos traficantes com os líderes das grandes facções do crime que dominam o nosso sistema prisional, numa comprovação do que diz o professor Antonio: as cadeias deixaram há muito tempo de cumprir a tarefa para a qual foram criadas. A proposta do advogado é que se avalie bem este projeto de lei e que, ao invés de atenuar a pena para quem, seja pequeno ou grande, está iniciando jovens e crianças na droga nas portas das escolas, se rediscuta é o sistema prisional. Vou um pouco mais longe, embora seja empreendimento quase utópico, é nossa ideia de sociedade estratificada e desigual que precisa de séria reavaliação. Confiram a íntegra do artigo:

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**A banalização da criminalidade

* Antonio Gonçalves

O legislador nacional caminha em desacordo com os anseios da própria sociedade a qual representa, pois o clamor social latente defende um maior endurecimento da legislação penal e, principalmente, no que tange a uma maior penalidade para os criminosos. Foi assim através de movimentos recentes como a mobilização pela lei dos crimes hediondos, a redução da maioridade penal, etc. No entanto, no que concerne o combate às drogas, o mesmo cuidado por parte do legislador ficou à margem.

A Lei n. 11.343, que trouxe modificações recentes a tratativa das drogas, pode ser novamente protagonista de alterações penais no que se trata do tráfico com a apresentação pelo governo de um projeto que irá para votação no Congresso para alterar a pena no que se refere ao pequeno traficante.

O objetivo é que a pena em relação ao pequeno traficante seja convertida em prestação de serviços a comunidade. Da forma atual, a pena ao infrator pode ser reduzida a um mínimo de um ano e oito meses sem possibilidade de comutação.

A justificativa ao projeto é o receio de “contaminação” por parte desse infrator que pode aperfeiçoar seus métodos e, inclusive, aderir ao crime organizado, ou seja, uma forma de preservar o agente de um dano maior.

Entretanto, algumas reflexões sobre o tema são urgentes e necessárias. A primeira delas é a justificativa em si, já que o escopo de comutar a pena para evitar uma maior criminalização caminha na contramão do próprio conceito de ressocialização prisional ao qual o nosso sistema penitenciário é calcado.

A segunda se refere à banalização da própria pena, pois se o governo admite que o sistema prisional atual produz um dano a seus componentes, não se trata de reparar a conduta e devolver o indivíduo ao convívio social após o cumprimento de pena, mas sim apartá-lo em definitivo da sociedade. Em outras palavras: a concessão de uma pena de morte em vida.

Se tal iniciativa for adiante, então é chegado o momento de se oferecer outro projeto para votação: o de esquecer a existência dos presídios, porque estes perderam em completo sua função social.

A função da pena não é diferenciar criminosos bons ou ruins, muito menos extirpar o direto à liberdade, portanto, o projeto de iniciativa do governo fere todos os preceitos que baseiam o próprio sistema penitenciário e não respeitar a isso é o mesmo que não respeitar as próprias leis.

Outra questão que pode ser levantada é em relação aos crimes que acontecem por intermédio de pequenos traficantes. Vemos inúmeros casos na imprensa de pessoas que cometem roubos, furtos e até mesmo matam sob efeito de droga, muitas vezes compradas de pequenos traficantes. É este mesmo traficante que está na porta das escolas, inserindo jovens ao mundo da droga.

A banalização da criminalidade não pode existir num país que se diz em evolução, brada os louros seus avanços, mas também mostra sua pequenez legislativa em lidar com a questão do crime organizado e do combate às drogas. Um verdadeiro retrocesso.

* Antonio Gonçalves é advogado, pós-graduado em Direito Tributário (FGV), Direito Penal Empresarial (FGV) e Direito Penal – Teoria dos Delitos (Universidade de Salamanca – Espanha). Mestre em Filosofia do Direito e Doutorando pela PUC-SP.

**Texto encaminhado ao blog via email pela AZ Brasil – Assessoria de Comunicação

É rosa, de pelúcia, mas é algema, é um símbolo de prisão, opressão e violência moral

É rosa, de pelúcia, mas é algema, um símbolo de prisão, opressão, subordinação à vontade de quem tem as chaves

O título deste post não é um apelo, mas um protesto. A paráfrase relembra a célebre frase do escritor Lima Barreto. Em um artigo escrito para o jornal Correio da Noite, no Rio de Janeiro, em 1915, o autor de Clara dos Anjos bradava: “Não as matem, pelo amor de Deus!” aos maridos e amantes que praticavam barbaramente o vil costume de “lavar a honra com sangue” quando constatavam uma traição afetiva. A última vez que escrevi sobre violência contra a mulher aqui no Conversa, em junho passado , lamentei voltar ao tema, mas a agressão sofrida por uma professora baiana, espancada brutalmente pelo marido, precisava de divulgação. Em outro texto, de março deste ano, a íntegra do artigo de Lima Barreto foi publicada aqui no blog, para reforçar que mais de 80 anos depois das palavras do escritor, ainda somos vítimas de tanta covardia. Lamentando em dobro ter de abordar o tema mais uma vez, escrevo para dizer que estou de luto. Nas últimas 72 horas, em Salvador, duas mulheres foram assassinadas por ex-companheiros que não aceitaram o fim do relacionamento. Uma delas foi morta diante da filhinha de dois anos. A vítima iria completar 21. Somente este ano, na capital baiana, sete mulheres foram assassinadas pelos maridos ciumentos ou pelos ex que não aceitaram o fim do relacionamento.

Me pergunto quando é que isso vai parar e mais uma vez temo que a resposta talvez seja nunca, pois a cultura machista da nossa sociedade persiste em grande parte por culpa de nós mesmas, mulheres. Esta sexta-feira, o luto é em dobro porque além das mortes das jovens baianas, uma mulher que não chegou a ser agredida fisicamente devido à intervenção policial, foi duramente humilhada, hostilizada e agredida moralmente por usar uma minissaia! Como tão bem colocou Giovanna Castro, no post abaixo, o duro é que havia mulheres, muitas das quais que devem usar também suas minissaias, engrossando o coro de humilhações e xingamentos ditos à colega da Uniban.

Me assusta que crimes passionais (que de passionais não tem nada, porque matar uma pessoa sob a desculpa do amor é tudo, menos amor) continuem a crescer apesar de toda a luta para conscientizar homens e mulheres sobre o respeito mútuo. A semente da erva daninha do patriarcalismo e da heteronormatividade machista que domina nossa sociedade é das mais difíceis de erradicar. Por mais que se corte, sempre surgem novas ervas venenosas. E tudo isso, sabemos, já foi incansavelmente dito, começa em casa, quando meninas e meninos são criados de formas tão distintas e excludentes.

violencia-mulherDia desses, em um ônibus aqui em Salvador, ouvi o papo de duas jovens estudantes que deviam ter no máximo 19 anos. Falavam de uma terceira colega da faculdade e se referiam a essa moça com adjetivos desqualificativos como “galinha”, “piranha”, “vagabunda” e outros ainda piores. Criticavam o que deveria ser o comportamento liberal da jovem na escolha dos parceiros e faziam isso com um vocabulário e um rancor que lembro de ter ouvido na infância, das vizinhas fofoqueiras que sempre tinham um caso “escandaloso” sobre a filha de fulano para contar. Mas não era a liberação sexual uma das bandeiras da tão incensada década de 60? E agora? Vamos voltar à Idade Média? Lamento que ainda há tantas mulheres que separam outras mulheres em categorias de putas e não-putas, em pleno século XXI! Temo pelo excesso de fanatismo e fundamentalismo xiita que domina o mundo, temo pelo renascimento de regimes totalitários como o nazismo e o fascismo, pois durante a vigência dessas formas de opressão, as mulheres sempre foram tratadas da pior forma possível.

Sejamos brancas ou negras, vermelhas ou amarelas, ricas ou pobres, letradas ou analfabetas, todas ainda somos vistas como seres inferiores, com a nossa sexualidade demonizada por uma parcela considerável da sociedade. “Onde está a tão apregoada emancipação feminina?”, pergunta Giovanna e pergunto eu. É preciso continuar militando no feminismo radical para que tenhamos salários iguais aos dos homens, uma sexualidade tratada de forma tão casual quanto a deles e até para que tenhamos o direito de vestir o que bem quizermos? Mais ainda, é preciso uma revolução feminina ainda mais radical para que possamos deixar de ser mortas por homens que se consideram nossos proprietários?

simbolo_feminino_blogMulheres, “reajam ou serão mortas”. Aqui peço licença para parafresear uma famosa campanha nacional contra a violência que vitima  jovens negros. Reajam educando seus filhos homens – e suas filhas mulheres – para respeitar as colegas e não para classificá-las em putas ou santas. Reajam diante de amigos, e das amigas, que fazem comentários pejorativos e depreciativos sobre as mulheres. Reajam contra as revistas que pensam que somos barbies taradas.  Reajam contra as letras de música que nos legam um papel inferior, de escravas sexuais da lascívia masculina. Reajam contra as algeminhas cor-de-rosa de pelúcia, coleirinhas e cintas-ligas que tentam nos empurrar nos sex-shops para nos fazer crer que usar um símbolo de prisão (algema!!!) é uma fantasia sexual excelente para apimentar a transa e com isso seremos mais bem resolvidas na cama e fora dela. Reajam contra a homofobia. Reajam contra o machismo. Reajam contra a discriminação no mercado de trabalho. Reajam contra a superproteção paternalista, que subestima a nossa inteligência. Reajam contra a intolerância e, principalmente, reajam contra o medo, o preconceito e o sentimento de culpa que fazem com que muitas mulheres não denunciem os companheiros após uma primeira agressão.

Só unidas, juntas, solidárias umas com as outras, conseguiremos diminuir essas estatísticas alarmantes. Enquanto não nos unirmos, enquanto julgarmos outras mulheres por seu comportamento, mais joices e estefanies, de qualquer cor, qualquer nível sócio-econômico, continuarão sendo privadas de suas vidas e deixando crianças de dois anos órfãs.

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Quem diria que Mary Quant, lá nos anos 60, inventaria uma peça de roupa capaz de despertar tanto ódio

Outubro de 2009, século XXI, São Bernardo do Campo, cidade do complexo ABCD, pedaço do Brasil dos mais pujantes dentro do mais pujante estado e que se auto-vangloria de ser cosmopolita e moderno – São Paulo. Setembro de 1968, século XX, Atlantic City, Estados Unidos – então a maior potência mundial, título que ainda ostenta embora ultimamente bastante alquebrado pela crise -, controverso episódio Bra-Burning, ou Queima de Sutiãs, para os íntimos. Apenas quatro anos antes, a estilista Mary Quant havia criado a ousadíssima minissaia.

Uma distância de exatos 41 anos entre os dois períodos destacados não foi suficiente, no entanto, para evitar a execração pública de uma jovem de 20 anos,  estudante de Turismo da Uniban, no “B” do centro industrial paulista, que resolveu ir à aula com um vestido curto, não tão mais curto do que qualquer menina de hoje em dia usa na rua no nosso ensolarado e calorento país.

O que pode ter acontecido, fico me perguntando, ao mesmo tempo em que relembro as cenas de uma faculdade em fúria, alunos agitados, de celulares em punho gravando o acontecimento e prestes a pular em cima da moça? Centenas de homens e mulheres engrossavam os gritos de “puta! puta! puta!”, enquanto ela saía da sala de aula em que havia se refugiado – na tentativa frustrada de aguardar que os ânimos se acalmassem – visivelmente constrangida e escoltada por cinco policiais. “Eles estavam possuídos. Fiquei com muito medo”, disse a jovem, depois do ocorrido.

No que pensavam as moças e rapazes que se concentraram de forma ameaçadora expressando sua opinião intolerante em relação a uma minissaia? Que nem era tão mini assim conforme se vê no vídeos postados no Youtube pelos universitários… Penso na palavra “moral”, na expressão “bons costumes”, mas nada disso faz sentido quando se trata da massa revoltada.

São os mesmos que nas baladas se orgulham de ter beijado não sei quantos ou não sei quantas numa única noite, os mesmos que têm cada vez mais liberdade para dormir com seus namorados (as) na casa dos pais, que se reúnem em grupos identificados justamente pela roupa que vestem, que alardeiam a prática do sexo e curam suas consequências com a pílula do dia seguinte. Que contradição é essa? Hipocrisia?

E, mais do que isso, trata-se de jovens estudantes que, na academia, deveriam estar assimilando conteúdo, aprendendo a eliminar o preconceito, a respeitar os outros e usar da criatividade em prol da sociedade. Mas não, eles se aglomeraram para “protestar” contra a minissaia da colega. Me impressiona mais ainda o desprezo expressado no diálogo entre duas mulheres cujas vozes soam ao fundo da gravação: “Ela tá chorando gente”, uma delas se solidariza. Enquanto a outra cospe: “Dane-se!”.

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Pernas femininas continuam virando a cabeça deles e delas

Injustificável a postura masculina diante do episódio, já que vivemos num mundo machista, apesar de quererem nos convencer de que as coisas estão mudando, porém imperdoável para as mulheres. Porque não a solidariedade? Porque não a proteção? Porque não a identificação? Por acaso aquelas meninas se sentiram ameaçadas no seu território? A jovem de vestido curto é uma ameaça para seus namorados, amantes, maridos, ficantes? Questão complexa, essa, até porque as escolas têm se transformado em verdadeiros desfiles de moda. Atualmente, meninas, adolescentes e jovens se arrumam para a escola como se estivessem indo pra uma festa, visando alcançar objetivos nada acadêmicos.

Este episódio reflete, a meu ver, uma crise de valores pela qual passa a sociedade contemporânea. Não já disseram que o direito de um termina onde começa o direito do outro? O que a jovem do ABC fez de tão ofensivo à alma e à conduta dos demais estudantes da Uniban? O que os estudantes da Uniban queriam fazer com essa moça, ao tentar invadir em massa a sala de aula em que ela se refugiara?

A contemporaneidade exige comportamentos e posturas diferentes, as coisas andam muito mais flexíveis, ainda que muito à beira do precipício do exagero. Só que não é possível voltarmos ao tempo da barbárie, do tacape e dos puxões de cabelo. Porque um vestido curto foi associado à prostituição? O que há de diferente nessa moça das top modelos das passarelas que mostram seus corpos, das atrizes que fazem cenas de sexo na novela das 19h e das meninas que saem à noite vestidas para matar o primeiro incauto que aparecer?

Chocante a atitude dos alunos, homens e mulheres, surpreendente a posição do segurança da faculdade: “Mas também que roupa curta, hein?”, disse irônico e desrespeitoso após ser chamado para proteger a aluna da turba desenbestada. Enfim, todo esse episódio me cheira àqueles comentários absurdos e neanderthais que, não raro, alguns fazem ao saber de notícias de estupro. “Ah, mas ela deu lugar, né? Com aquele vestido provocante, queria o quê? Nenhum homem aguenta…”. Mary Quant não poderia imaginar que sua invenção fosse alvo de tamanho ódio e rejeição tanto tempo depois.

A série Traça de Biblioteca desta sexta-feira destaca quatro livros lançados pelas coleções Consciência em Debate e Retratos do Brasil Negro, ambas da Selo Negro Edições. Os livros tratam de importantes questões como a desigualdade racial existente no Brasil e traz também perfis de intectuais, homens e mulheres, que militam em prol dos direitos da população afrobrasileira. Quando diversos segmentos da sociedade civil organizada, sobretudo do movimento negro, se voltam para organizar as comemorações do Dia da Consciência Negra (em 20 de novembro próximo), vale a pena aprender os valores destes relatos. Recentemente, lendo uma revista que falava sobre o 20 de Novembro, li uma frase de Nelson Mandela (Nobel da Paz, militante pelo fim do apartheid na África do Sul) que cabe reflexão: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele, o ódio é ensinado. E se o ódio pode ser ensinado, o amor também pode”.  Confiram as sinopses e serviço para adquirir os títulos:

retratosRelações raciais e desigualdade no Brasil
O livro apresenta o ponto de visto histórico das relações raciais e das desigualdades no Brasil. Para a autora, a historiadora Gevanilda Santos, a educação antirracista é uma das soluções para promover a igualdade, a consciência política e o respeito às diferenças. A ideia do brasileiro cordial supõe uma vocação nacional para a convivência harmônica diante da desigualdade racial existente no país. Esse estereótipo, contudo, apenas esconde o modo de ser preconceituoso do brasileiro. O livro integra a coleção Consciência em Debate, lançamento da Selo Negro Edições. Em Relações raciais e desigualdade no Brasil, Gevanilda Santos decifra o mito da democracia racial e denuncia o racismo que sempre permeou a sociedade brasileira. Com base na análise das bases sociais, econômicas, culturais e políticas do país, ela mostra como está estruturada essa desigualdade. O livro apresenta o ponto de vista histórico das relações raciais e das desigualdades. Da República Velha ao movimento negro contemporâneo, a autora esmiúça conceitos como “raça”, racismo e preconceito, desconstruindo ideias preestabelecidas. Ao longo da obra, destaca as diferenças existentes entre as desigualdades sociais e raciais e reafirma a necessidade de políticas públicas específicas para os negros.
Autora: Gevanilda Santos
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 19,90
Páginas: 96

AbdiasAbdias Nascimento – Retratos do Brasil Negro
Abdias Nascimento é um dos maiores pensadores negros do mundo. Sua luta pela igualdade racial e sua vida marcada por desafios são fielmente registradas nesta biografia: da infância humilde à criação do Teatro Experimental do Negro, passando por sua atuação como deputado federal. Abdias pertence ao grupo dos grandes intelectuais engajados nas lutas libertárias dos negros em âmbito mundial – e também na difusão do pan-africanismo. No livro, a jornalista Sandra Almada recupera a vida e a obra desse dramaturgo, ator, acadêmico, político, artista plástico, poeta e militante reconhecido internacionalmente, resgatando as origens de sua combatividade.  Admiradora do professor Abdias, a jornalista acompanha sua militância há quase vinte anos, período em que foi acumulando algumas histórias desse defensor do combate ao racismo. Para complementar a biografia, ela realizou novas entrevistas, durante quatro meses, na casa do intelectual, no Rio de Janeiro. Espirituoso e bem-humorado, ele reconstituiu sua trajetória, revelando fatos significativos de uma vida exemplar de superação e crença.
Autora: Sandra de Souza Almada
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 19,90
Páginas: 168

Sueli CarneiroSueli Carneiro – Retratos do Brasil Negro
Sueli Carneiro é ativista antirracismo do movimento social negro brasileiro. Feminista e intelectual, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Sueli é uma das personalidades políticas mais instigantes da atualidade. Entender sua história de vida, suas influências e as mudanças concretas geradas por sua militância é compreender parte do cenário espacial, político e geográfico do movimento social negro contemporâneo. No livro, a jornalista Rosane da Silva Borges conta a história dessa que é uma das personalidades políticas mais instigantes da atualidade. A obra recupera experiências pessoais como eixo importante de vivências políticas. O primeiro contato da autora com Sueli foi em 2002, já com o intuito de compor a biografia dessa incansável ativista. Em 2009, o projeto foi retomado. Foram seis meses de trabalho e várias entrevistas em São Paulo. Os capítulos que compõem a biografia de Sueli Carneiro incluem fatos relevantes na vida da filha de uma ex-costureira e de um ferroviário, que herdou a tradição familiar e a certeza de que precisava investir na própria educação e lutar por condições melhores para a população negra. Em seu relato, a autora descreve o panorama brasileiro do período que envolve o nascimento e a infância da biografada, destacando uma época efervescente, com a volta de Getulio Vargas ao poder.
Autora: Rosane da Silva Borges
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 19,90
Páginas: 104

Nei LopesNei Lopes – Retratos do Brasil Negro
Nei Lopes é um brasileiro comprometido com sua terra e com a cultura de seu povo. Sempre criativo, ele vem enriquecendo o panorama da cultura nacional com a singular capacidade de elaborar e interpretar a dimensão mais densa e profunda da africanidade no país. Poeta, compositor, sambista, pesquisador e escritor, Nei Lopes é uma referência da cultura e da arte no Brasil. Sua vasta obra intelectual e musical constitui um rico acervo de informações e ideias sobre a cultura afro-brasileira, além de refletir de maneira magistral a luta antirracista no país. A vida e obra de Nei Lopes é contada pelo jornalista Oswaldo Faustino, que aborda com maestria todas as facetas da vida do artista.  Admirador de Nei Lopes, Faustino aceitou com entusiasmo o convite para escrever a biografia do intelectual. Foram quatro meses de trabalho, incluindo contatos por telefone, troca de e-mails e dois encontros, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, para reunir as histórias que mostram os diversos talentos do homem que é hoje a grande referência no estudo da cultura afro-brasileira e na luta contra o racismo. O autor fala sobre o envolvimento de Nei Lopes com as artes plásticas e a aprovação, em primeiro lugar, no disputadíssimo concurso da Escola Técnica Visconde de Mauá. Fala sobre sua dedicação à poesia, ao desenho e ao teatro, bem como sobre sua formação como advogado na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ), em 1962, que fez dele o primeiro universitário da família.
Autor: Oswaldo Faustino
Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 19,90
Páginas: 120

Serviço:

Para adquirir os livros os contatos são o Serviço de Atendimento ao Consumidor da Selo Negro Edições, em São Paulo, pelo telefone: (11) 3865-9890.

Visite também o site da editora: www.selonegro.com.br

monografiasLá pela metade do quinto semestre, um dos professores aborda o assunto: hora de pensar no objeto de estudo do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Se o vestibular é o terror dos estudantes de ensino médio, o TCC, com certeza, assusta bastante os graduandos  – e pós-graduandos, lógico! – deste vasto, cada vez mais vasto, universo acadêmico brasileiro. Primeiro, tem a tarefa inglória de escolher um tema, de preferência um que tenha relevância social e científica. Tem de ser alguma coisa que dê para analisar, estudar, do contrário fica inviável. E tem também de ser alguma coisa que sirva para alguma coisa. Depois da trabalheira que você vai ter, deixar o projeto apenas decorando a penúltima gaveta do armário de depósito de cacarecos na sua garagem não é muito promissor. Além, claro, de ser algo sobre o qual você tenha interesse. Pense no tempo em que vai levar para pesquisar tudo. Se for um tema qualquer, adeus motivação e sem motivação as chances da pesquisa dar em nada são enormes. Mas, quem pensa que escolhendo o tema está salvo, engana-se. Depois de escolher o tal do tema e situá-lo dentro de uma área de estudos, vem o recorte do objeto. Heim?! Sim, você não acha que em um semestre (para os graduandos) e dois anos (para os mestrandos) vai dar para esgotar um tema, pensa? Nada disso. Você vai estudar um aspecto do seu tema, de preferência um que seja inédito ou original, ou os dois. Recortado o objeto, tem ainda o corpus do projeto, ou seja, sobre o que mesmo é que você vai se debruçar para comprovar ou negar a teoria proposta no seu objeto de estudo?

Se a uma altura dessas você ainda não desistiu do post, então agora vai ter a chance de entender porque falar em TCC. Primeiro, porque as blogueiras do Conversa de Menina andam as voltas com os próprios projetos (de pós, mestrado e em uma segunda graduação – é isso, somos meninas estudiosas). Segundo, porque não tem tema melhor para se tratar em um fim do semestre. Quem ainda não fez o seu projeto, está para fazer. Além disso, me preocupa muito o fato de que é cada vez mais comum as pessoas chegaram ao último semestre da faculdade (ao semestre do TCC) sem a menor ideia do que pretendem estudar e de que tipo de pesquisa vão legar à sociedade.

monografia 2Atualmente, entrar na faculdade, cursar uma universidade, tem cada vez mais relação com melhores salários no mercado de trabalho e menos relação com produção de conhecimentos que de alguma forma transformem a realidade da sociedade onde todos estamos inseridos. Não que a gente faça faculdade apenas para servir a sociedade. Um salário bacana, exercer uma profissão que dê status, querer uma vida confortável não é pecado. Toda pessoa sensata quer uma vida melhor. Mas não deveria ser só isso. Como alguém que defende a educação como um meio eficiente de transformação social, acredito que quem consegue vencer todas as árduas etapas da vida escolar (e no Brasil ela é árdua, principalmente para quem não pode pagar) tem um dever moral para com a sociedade. O dever de ser mais crítico e de cobrar mais do poder público, o dever de eleger representantes que atentam todos e que corrijam distorções históricas. O dever de com o seu trabalho (aquele que vai pagar o salário bacana e dar status e conforto) você produzir algo de bom para os outros. Todos, de certa forma, servimos uns aos outros, na acepção positiva de servir, prestar serviço, e não na de ser subserviente. O conhecimento gera uma grande responsabilidade, pelo menos da forma como vejo a coisa. Afinal, não são os médicos responsáveis pelos seus pacientes? Não são os juristas responsáveis pela sociedade para a qual formulam e/ou fazem aplicar as leis? Não são responsáveis os jornalistas pelo que informam aos cidadãos? Os engenheiros pelos prédios que projetam? Só para citar alguns exemplos.

Mas, infelizmente, ter diploma de curso superior no Brasil virou mais um negócio. Conferir o diploma então, um baita negócio, que o diga a recente fraude no Enem e a proliferação de faculdades, muitas sem a menor condição de funcionamento. Na lógica do “vale tudo para ter um canudo”, bem típica de um capitalismo não evoluido e predatório como o que se pratica no país, surge a encomenda de TCCs para terceiros. Particularmente, considero vergonhoso forjar um trabalho acadêmico. Sem falar que é uma espécie de sabotagem consigo mesmo, além de uma falta de caráter gritante. Sabotagem porque quem chega ao terceiro grau, ou ao grau de mestre, ou de doutor, sem ter escrito uma linha sequer dos próprios trabalhos é uma fraude e toda fraude, mais dia, menos dia, será descoberta. É uma fraude porque o candidato que forja um TCC até pode conseguir ser aprovado, pode até entrar no mercado, mas vai se manter nele? Sem conhecimentos, sem competência? Quem é conivente com a compra de trabalhos acadêmicos estimula a mediocridade e o empobrecimento intelectual do país. Sem falar que é irresponsável. Desabamentos de edifícios que não deveriam cair, morte de pacientes em cirurgias simples, inocentes condenados ou leis opressoras, a reputação de alguém manchada por uma apuração errada, não seriam essas situações fruto desse ciclo vicioso do “finge que ensino que eu finjo que aprendo”?

formaturaSei que elaborar um TCC, seja na graduação ou na pós, dá um trabalho terrível. São meses que passamos bem ansiosos e sem tempo para nada. Nos tornamos até meio chatos para amigos e conhecidos, porque só sabemos falar do projeto de conclusão de curso, só conseguimos enxergar nosso tema, comê-lo, dormir e acordar pensando nele. Namorados (as), amigos, família, tudo fica meio de escanteio em tempos de TCC, mas sou adepta do planejamento e acredito que com o mínimo de organização, dá para apresentar um trabalho muito digno e ainda viver a vida, que está aí cheia de coisas boas para serem aproveitadas. Estudar é só uma dessas coisas boas. Sem contar que arejar a cabeça é um santo remédio para aquele trecho da monografia que não ata e nem desata. Mas tem de ter disciplina, existe uma distância enorme entre arejar a cabeça e adiar a conclusão do projeto por preguiça, por exemplo. Distância maior ainda entre quem se dedica a pesquisar e produzir e quem paga para os outros pesquisarem e produzirem.

Fico pensando é no final da jornada, no quanto é gratificante entregar um projeto finalizado, bem-feito, fruto do nosso esforço, do interesse e da vontade em somar algo mais ao conhecimento produzido ano após ano no mundo. Penso também em como é bom comemorar com aquele namorado (a), amigos e familiares relegados a segundo plano por um tempo, depois que somos aprovados, por mérito, por algo que construímos, com esforço, meio desesperados em alguns momentos, mas de forma muito digna, para se olhar no espelho e dizer (parafraseando o presidente Obama) Yes, I can!

Estas reflexões, dedico aos que estão às voltas com seus TCCs. Para todos vocês, lutadores, desejo sorte!

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Artigo:

>>O plágio na pesquisa acadêmica: a proliferação da desonestidade intelectual (No link, texto escrito pelo advogado Rodrigo Moraes, o texto é uma excelente reflexão sobre o terrível ato de comprar uma monografia e suas implicações legais e sociais; em PDF)

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Para não surtar:

>>Dicas para controlar o nervosismo na apresentação do TCC (No link, material do Portal Universia. A entidade reúne 1200 instituições de nível superior na América Latina e Península Ibérica)

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