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Minha mãe é a “menina do dedo verde”, minha avó também era. Eu, infelizmente, não herdei esse talento com plantas, embora adore jardins floridos, vasos enfeitando a casa…o verde, que é minha cor favorita. Como sei que existem outras pessoas como eu, que adoram plantas mas não sabem direito o que fazer com elas e, como está um dia lindo aqui em Salvador, brisa suave, céu azul de brigadeiro, muito verde embaixo da minha janela, aproveito para publicar aqui no blog um artigo do professor Luiz Erlon Rodrigues, que ensina a cuidar de orquídeas.  Plantas, além de embelezarem o ambiente, transmitem harmonia. Cuidar de um jardim também é excelente terapia. Aos que possuem o dom da jardinagem, meus parabéns! Confiram as dicas para deixar suas flores mais bonitas:

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**O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE NUTRIÇÃO DE ORQUÍDEAS

*Luiz Erlon Rodrigues

As orquídeas são consideradas plantas muito evoluídas do reino vegetal. As mais diferentes espécies podem ser encontradas em quase todo o globo, excetuando as regiões polares e os desertos mais áridos. Existem aproximadamente 35 mil espécies de orquídeas e milhares de híbridos. Estima-se em 600 o número de gêneros.

Dentro da imensa variedade de espécies, encontram-se orquídeas microscópicas com flores menores que 2 mm (Eurystyles) e tão grandes, com hastes florais de mais de 4 metros (Selenipedium). Diante disso, as condições de cultivo, cuidado e adubação podem variar na mesma proporção.

Deve-se ter atenção para alguns cuidados com essas plantas. O cultivo de orquídeas passa por um período de aclimatação, algumas vezes muito crítico na vida da planta. Durante essa fase, as orquídeas podem ser submetidas a vários tipos de estresse, principalmente hídrico (ligado à absorção de minerais), de luminosidade (relacionado à síntese de clorofila e crescimento) e infecções por fungos, bactérias e vírus (devido ao enfraquecimento de suas defesas).

Uma iluminação inadequada pode, também, interferir diretamente em sua floração, principalmente no inverno. Durante os meses mais ensolarados, deve-se protegê-las da exposição excessiva aos raios solares, evitando o amarelamento e a queima das folhas. A própria orquídea serve como indicadora de sua iluminação adequada. Plantas insuficientemente iluminadas terão folhas com um tom verde escuro intenso, enquanto as bem iluminadas terão folhas de coloração verde claro brilhante.

Um outro cuidado importante é com a água. A superirrigação das orquídeas é freqüentemente, a causa mais comum do aparecimento de doenças, ou mesmo da morte da planta. Isso porque os substratos, quando encharcados, irão competir com as raízes na captação do oxigênio. A maneira correta de se hidratar uma orquídea é aguar o vaso onde a planta se encontra, colocando-o dentro de uma lâmina d’água em torno de 3 cm de espessura. Daí é só esperar que a água suba por capilaridade, umedecendo o substrato. O simples ato de aguar, de cima para baixo, pode contribuir para a lixiviação do substrato, retirando os sais minerais solúveis, importantes para o desenvolvimento das plantas. Durante os meses frios, evite aguar as plantas em ambientes com temperaturas abaixo de 8°C. Isso pode prejudicar o metabolismo de suas raízes. Também não se recomenda os ambientes muito secos. As orquídeas respondem muito bem quando cultivadas em ambientes com 50% a 70% de umidade relativa do ar.

Existem basicamente dois tipos de orquídeas: as que suportam temperaturas noturnas em torno dos 7°C e as que não suportam temperaturas abaixo de 15°C. Temperaturas em torno dos 27° são extremamente favoráveis ao desenvolvimento e floração da maioria das orquídeas.

Os ambientes ventilados são muito importantes para o desenvolvimento das plantas. A renovação do ar diminui a incidência de doenças, principalmente de fungos, bactérias e vírus, e assegura um nível fisiológico de dióxido de carbono utilizado na fotossíntese. Deve-se evitar, no entanto, ambientes demasiadamente ventilados, pois afastam insetos importantes no processo de polinização das plantas e podem inclusive desidratá-las.

Algumas plantas vivem e se desenvolvem em ambientes muito adversos e, portanto, necessitam de um adicional de nutrientes para assegurar um crescimento saudável. Tudo isso dependerá, claro, das condições do ambiente e das características de cada orquídea. Em termos gerais, deve-se aplicar o fertilizante foliar uma vez a cada 15 dias, quando as plantas estiverem em processo de crescimento ou floração e, mensalmente, naquelas adultas e em intervalos não floridos. Orquídeas cultivadas artificialmente requerem formulações mais ricas em nitrogênio. Outro processo importante consiste em lavar toda a planta, principalmente raízes e folhas, duas vezes por ano, evitando a desidratação e outros efeitos nocivos do uso excessivo de fertilizantes.

*Luiz Erlon Rodrigues é cientista especializado em cuidados com plantas. Doutor em medicina pela UFBA e pós-doutor em enzimologia e microanálises nas universidades de Paris XII (Créteil) e XIII (Bobigny), França; é ainda professor titular da Faculdade de Medicina da UFBA e da Escola Baiana de Medicina, além de dirigir a Biofert.

**Artigo encaminhado ao blog via email pela Inferface Comunicação.

 

A série Traça de Biblioteca desta semana, excepcionalmente, é publicada no sábado ao invés da sexta-feira já tradicional. As dicas de leitura também fogem um pouco do padrão. Não são livros em papel, mas em versões digitalizadas e bilingues, disponíveis na internet. Confiram as opções, depois é clicar e começar a viagem literária:

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CLÁSSICOS DIGITAIS

Grandes clássicos da literatura e obras infantis educativas acabam de ganhar versões digitais em inglês e português, com acesso gratuito na internet. A iniciativa é do LivroClip, uma nova mídia para o livro, que transforma obras em animações multimídia. Os primeiros LivroClips com tradução para o inglês são os clássicos: “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoievski, e “A Metamorfose”, de Franz Kafka. O site LivroClip estreia também uma coleção de trailers de livros infantis educativos, nos dois idiomas, baseados nas obras: “Pigmeus”, de Rogério Andrade Barbosa, “Um Teto de Céu”, de Ninfa Parreiras, “Vamos Abraçar o Mundinho”, de Ingrid B. Bellinghausen, e “O Guarda-chuva do Vovô”, de Carolina Moreyra.

O LivroClip possui um acervo com mais de 200 animações. Todo LivroClip vem acompanhado de um hot site com mais informações sobre o livro, o autor e o “Espaço do Professor”, com dicas de como usar a obra em sala de aula.

Serviço:

>>LivroClip (www.livroclip.com.br)

>>Acesse os links de algumas das animações do LivroClip:

A Metamorfose

Crime e Castigo

Dom Quixote

Pigmeus

Vamos Abraçar o Mundinho

Um Teto de Céu

O Guarda-chuva do Vovô

ACORDO ORTOGRÁFICO EM VERSÃO LIVROCLIP

Quem ainda não conseguiu se adaptar às mudanças do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor desde o início de 2009, pode consultar o LivroClip “Novo (e Divertido) Acordo Ortográfico”. Baseada na obra homônima de Andrey do Amaral, publicado pela Editora Ciência Moderna, o trailer mostra alguns exemplos do que muda no dia a dia com o as novas regras. Linguiça sem trema? Ideia sem acento? Mudanças na utilização do hífen? Essas e outras mudanças são expostas pelo autor com explicações e exemplos do cotidiano. A praticidade e a linguagem acessível do livro são fundamentais para estudantes, professores e para interessados na língua portuguesa. Baixe gratuitamente a animação aqui.

Nesta sexta-feira, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra. A data existe para celebrar Zumbi, líder do emblemático Quilombo dos Palmares, símbolo de resistência contra a escravidão. O Conversa de Menina, porém, escolheu falar sobre uma líder negra, outro ícone  de luta pela liberdade, uma mulher que, tal qual Zumbi, tem os fatos de sua vida real confundidos com a ficção. Um ser quase mitológico. Em celebração ao Dia da Consciência Negra, conto para vocês a história de Luiza Mahin, a liderança feminina da Revolta dos Malês. Confiram:

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Quem é Luiza Mahin?

Gravura representando uma negra nagô, da Costa da Mina. Não existem imagens de Luiza Mahin, mas se como afirma Luiz Gama, sua mãe era uma negra mina, então ela devia ter um estilo de vestir e portar-se como a mulher representada nesta gravura

Gravura representando uma negra nagô da Costa da Mina. Não há registro da existência de imagens de Luiza Mahin, mas se ela era nagô do Daomé (atual Benin), como diz Luiz Gama, então seu estilo de trajar era semelhante ao da gravura acima

A primeira descrição de Luiza Mahin de que se tem notícia consta de uma carta escrita pelo poeta Luiz Gama, em 25 de julho de 1880. Luiz descrevia a própria mãe como uma africana livre, de baixa estatura, magra, bonita, preta retinta com dentes alvos, altiva, geniosa e nagô (como os africanos de origem iorubá eram chamados na Bahia colonial). Ainda de acordo com os escritos do poeta abolicionista, Luiza deve ter nascido por volta de 1812, no antigo Daomé (Benin), Costa da Mina, um dos portos que viveu intenso tráfico negreiro entre os século XVI e XIX. Chegou à Bahia como escrava, mas na África, era uma princesa. Alforriada, trabalhava como ganhadeira (vendedora de quitutes) pelas ruas do centro de Salvador e morava no Solar do Gravatá, onde hoje funciona a Casa de Angola. Quando Luiz Gama tinha oito anos, e após o fracasso do Levante Malê de 1835, Luiza Mahin teria entregue o filho aos cuidados do pai e fugido para o Rio de Janeiro, onde ajudou a organizar outras revoltas de escravos e onde morreu, em data ignorada.  Fora os relatos do poeta, o outro registro sobre Luiza Mahin é uma obra de ficção, o romance Malês – A insurreição das senzalas, escrito pelo jornalista baiano Pedro Calmon, em 1933, quase um século após a rebelião malê ter fracassado. Neste livro, Calmon descreve Luiza como uma das duas mulheres que trairam a revolta, entregando os planos dos malês à polícia. Na obra, Luiza é descrita como arrependida da rebelião e disposta a “retratar-se” perante os brancos. O movimento negro porém, rejeita essa descrição, que na opinião de seus membros, era uma tentativa do escritor, branco e pertencente à elite baiana, de anular a importância histórica de uma líder revolucionária negra. Até onde se sabe, não existem documentos considerados oficiais que atestem a existência de Luiza, tais como certidões de batismo ou carta de alforria. A ausência da certidão, defendem os historiadores que usam como prova da existência dela a carta de seu filho, justifica-se pelo fato de Mahin ter rejeitado o sacramento cristão e ter continuado até sua morte, professando a crença nos orixás tal qual veio da África (sem o sincretismo). Para uma corrente de pesquisadores, Luiza é fruto da imaginação de Luiz Gama, uma tentativa do poeta em exorcizar os fantasmas do seu passado. Aos 10 anos, Gama foi vendido pelo pai como escravo e levado para São Paulo, onde morou para o resto da vida. Formado em Direito, poeta, também jornalista, ele defendia escravos acusados de matar seus senhores e conseguiu livrar 500 da morte por execução, ao alegar que os escravos agiram em legítima defesa, uma vez que a escravidão, sendo um regime extremo, requeria medidas extremas das vítimas. Eloquente, era um dos homens mais admirados dentro do movimento abolicionista. Já a corrente de pesquisadores que defende a existência de Luiza, além de basear-se nas memórias de Luiz Gama, também se baseia em pesquisa feita nos anos 40, quando foram recolhidos diversos relatos sobre os personagens populares que lideravam revoltas de escravos na Bahia do século XIX. Na época dessa pesquisa, um dos nomes mais citados por pessoas que beiravam os 90/100 anos de idade e que por sua vez, tinham escutado essas histórias de seus pais ou avós, era o de Luiza Mahin.

A revolta malê

O poeta Luiz Gama. Nascido na Bahia, Gama foi vendido aos 10 anos como escravo, pelo próprio pai, que era viciado em jogo e usou o filho para quitar uma dívida. Depois de ter sido escravo na infância e adolescência, já adulto, era jornalista, poeta e exerceu o Direito, defendendo escravos que matavam seus senhores em nome da liberdade

Malê era o nome pelo qual os africanos islamizados (muçulmanos), que eram alfabetizados em árabe, eram conhecidos na Bahia. Ao longo da primeira metade do século XIX, diversas revoltas irromperam na província sob articulação dos malês. O objetivo era além da liberdade da escravidão, uma imposição do Islã como religião oficial no reino que seria fundado em Salvador. A revolta mais famosa foi o levante de 1835, quando os malês chegaram a ameaçar o poder colonial e instituiram um quartel general na sede administrativa da cidade. Traídos, os líderes foram presos e executados e a revolta barbaramente dispersada, com diversos assassinatos de escravos e ex-escravos de origem iorubá. Luiz Gama, em suas memórias, revela que após o levante, as demais províncias do Brasil recusavam categoricamente comprar escravos de origem baiana, pois temiam que eles articulassem revoluções. O próprio Gama, quando estava em um dos mercados de escravos em São Paulo, quando criança, foi rejeitado por vários compradores, sob a alegação de que sendo baiano, podia trazer o germe da revolução dentro dele. Buscando pistas nas memórias de Luiz Gama e nas pesquisas que mostram o comportamento das mulheres negras no século XIX, é que se pode especular sobre o fato de Luiza Mahin ser uma das articuladoras do movimento malê. Na verdade, por trabalharem nas ruas, vendendo e por serem menos vigiadas que os homens escravos, as mulheres podiam formar uma rede de solidariedade e comunicação, que tanto servia para espalhar as mensagens das revoltas, quanto para formar irmandades cuja missão era juntar dinheiro para a compra de alforrias. Diversas pesquisas recentes colocam as mulheres em pé de igualdade com os homens na articulação da liberdade, embora elas se organizassem de forma distinta e usassem muitas vezes armas como a sedução e a proximidade com a casa-grande, gozando de maior confiança dos patrões, para articular seus planos.

Um mito de autoafirmação

Independente dos debates históricos sobre a existência real ou a invenção de Luiza Mahin, a importância da personagem, sobretudo em tempos de resgate da história afro-brasileira nas escolas, é imensa para reafirmação negra e feminina. Ícone libertário, Luiza Mahin serve de inspiração porque desconstroi a ideia ainda vigente de que a abolição foi uma concessão generosa, quando diversos fatos revelados demonstram que na verdade ela foi fruto de uma árdua luta que durou mais de 300 anos, combinada com interesses políticos do império brasileiro. Por isso, a necessidade de Mahin ser lembrada no Dia da Consciência Negra, figurando ao lado de Zumbi como um dos emblemas da reparação.

*O post foi escrito a partir de uma reportagem que fiz em 14 de novembro de 2004, para o suplemento cultural Correio Repórter, do Jornal Correio da Bahia, em Salvador. Na época, para aprender sobre a vida de Luiza Mahin, contei com material bibliográfico como as memórias de Luiz Gama e com a ajuda de históriadores como o doutor em História e professor titular da UFBA, João José Reis; da coordenadora do Ceafro, Vilma Reis e da mestra em história Mariele Araújo, que além de me concederem entrevistas esclarecedoras,  me indicaram livros e documentos onde ampliar minhas pesquisas.

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Para saber mais sobre Luiza Mahin e os malês:

>>Rebelião escrava no Brasil – A história do levante dos malês. De João José Reis, editora Companhia das Letras. Este é considerado um dos estudos brasileiros mais importantes sobre as rebeliões de escravos do século XIX. Fundamental para quem quer saber mais sobre a resistência negra e a conquista da liberdade.

>>Entre o popular e a historiografia, uma imagem controversa: o caso Luiza Mahin. Artigo acadêmico de Aline Najara da Silva Gonçalves, graduada em História pela UNEB (Univeridade do Estado da Bahia),apresentado em 2009, no Enecult. Arquivo em PDF.

>>Verbete sobre Luiza Mahin na Wikipédia

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Outros posts sobre heroínas negras:

>>Maria Felipa: Guerreira de Itaparica

Tenho uma amiga que há alguns anos viveu uma crise de estresse tão violenta que começou a sentir dor até para mastigar a comida. Foi ao otorrinolaringologista, ao especialista bucomaxilofacial, fez todo tipo de exames, raio-x da face, e nada, não tinha nada errado com os dentes ou com os ossos do maxilar. Até que, conversando com outra conhecida, que é psicoterapeuta, veio o diagnóstico: “crise de estresse”. Minha amiga estava tão tensa, que nem percebia que ao falar, contraia toda a musculatura da mandíbula. Ela apertava os dentes quando estava nervosa e exercia uma pressão enorma no maxilar, machucando as articulações dessa região. Lembrei desse caso quando recebi o email com um artigo do dentista Marcelo Bolzan. O texto, que publicamos abaixo, descreve exatamente o tipo de problema que a minha amiga viveu e orienta de que forma podemos prevenir esse efeito negativo da tensão acumulada sobre as nossas vidas e a nossa saúde. Confiram:
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Estresse pode levar à ocorrência de disfunções temporomandibulares

*Prof. Dr. Marcelo Bolzan

Ilustração mostra a disfunção da articulação temporomandibular (DTM)

As desordens que acometem a articulação temporomandibular (ATM) podem acometer adultos e crianças. Em especial profissionais e executivos – assim como qualquer outra pessoa – quando submetidos a altos níveis de estresse tendem a apertar e ou ranger os dentes.

E tanto a maior intensidade e frequência, noturna  ou diurna, resulta na contração muscular. Com isso sintomas como fadiga e cansaço, nos casos mais leves, ou dores de intensidades variadas – nos casos mais dramáticos – podem resultar em dores crônicas e dores de cabeça que não cessam.

Isso ocorre em virtude da duração do período em que a tensão é exercida, bem como o excesso de contração na articulação, nos dentes e nos próprios músculos.

O correto diagnóstico do problema se faz necessário na medida em que estes sintomas podem ter sido causados pelo estresse ou terem sido desencadeados por ele, somente evidenciando assim problemas que já existiam, mas estavam latentes.

O caminho para solucionar o problema é a aplicação de um tratamento adequado, que pode variar da aplicação de analgésicos, relaxantes musculares, antiinflamatórios para os casos agudos  com causas temporárias.

Além disso, a utilização de fisioterapia, laser, aplicação de placas oclusais e ministração de medicamentos para melhorar o sono são indicadas par os mais renitentes.

No entanto, é válido salientar que essas são as manifestações físicas do estresse. Mas a causa deve ser combatida ou controlada por meio de relaxamento, autocontrole, mudança de hábitos e psicoterapia, se necessária. Daí a importância do correto acompanhamento profissional.

*Marcelo Bolzan é formado pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), doutor em ciências da saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-graduado em TMJ Disfunction pela UCLA (University of California /EUA) e Reabilitação Oral pela USC (University of Southern Califórnia/EUA). Além disso, é coordenador do curso de Dor Orofacial e Disfunção Temporomandibular da Fundecto USP.

>>Visite o site do especialista

Expulsão – O que levaria a Universidade Bandeirantes a expulsar Geisy Arruda, a jovem vítima do episódio de hostilidade pelo uso de um minivestido nas dependências da instituição? Ao ler a notícia anunciando a expulsão – embora no mesmo dia a decisão tenha sido revogada – me obriguei a refletir sobre o assunto. Geisy Arruda sai escoltada da UnibanNão importa o que tenha motivado a decisão da instituição, considero que a medida foi um verdadeiro “tiro no pé”.

A princípio, imagino que a questão crucial tenha sido uma estratégia jurídica. Geisy não foi expulsa pelo uso do minivestido ou por ter assumido, como justificou a faculdade, uma conduta que teria provocado todo o tumulto. Se a atitude da jovem não condizia com os preceitos da instituição, porque a expulsão só veio depois do ocorrido? Para mim, foi apenas uma manobra da universidade que seria utilizada como fundamento de defesa na ação movida pela jovem.

Trocando em miúdos, a universidade poderia estar pensando em argumentar na sua defesa que a atitude da jovem não se adequava aos preceitos da faculdade. E que foi expulsa por esta razão. Não justifica. Não convence. O argumento é tão sem fundamento que chega a ser irritante. Tão sem fundamento que logo em seguida os diretores recuaram da decisão. Seria esse o tratamento que a jovem merecia depois de tudo o que sofreu nas dependências da faculdade?

Educação – E que exemplo uma instituição de ensino poderia dar em uma situação como essas? Um de seus alunos é vítima da ira dos demais por um motivo fútil. O que fazer? Primordialmente, o papel da universidade é promover a educação por meio das discussões. O que eu esperava daquela instituição era um papel de guardiã do Estado democrático de Direito, como todos devemos ser.

Por que, então, ao invés de buscar punir a jovem, a instituição não pensou em promover palestras para debater o assunto nas suas próprias dependências? Não é ali um local de formação de indivíduos, de seres mais humanos, de pensadores? Que exemplo a Uniban está dando com uma atitude mais hostil ainda que aquela apresentada por seu alunado diante da jovem? Que sociedade é essa que estamos construindo, em que a própria universidade, centro de disseminação do conhecimento, toma atitude tão reprovável e fica por isso mesmo?

Comportamento – Ninguém merece passar pelo que aquela jovem passou. Sair escoltada da própria sala de aula, coberta por roupas emprestadas pelos professores, cercada de policiais e apavorada com a possibilidade de ser agredida a qualquer instante? Ver sua vida virada pelo avesso, estampada nas capas de jornais e revistas… E o pior, a meu ver, é ler a opinião de alguns estudantes e até professores da faculdade sobre o episódio.

Muitos se posicionaram no sentido de que a roupa da menina e seu comportamento justificavam a reação dos colegas. Pergunto-me: usar um  shortinho curto e apertado agora vai justificar o estupro? A vítima de assédio será considerada a verdadeira responsável pelo crime apenas porque é bonita e atraente?Teremos uma revolução legislativa que vai atenuar a pena daquele que estuprou uma mulher porque estava ela com roupas que despertaram o seu desejo?

Não consigo conceber que, em pleno século XXI, o uso de determinadas roupas seja aceito como justificativa para atitudes brutais e animalescas.

Espetáculo midiático – Chegamos a um momento em que é preciso refletir, promover o debate. Não dá para transformar a história em um espetáculo midiático, ganhar audiência com ela, sem que seja ela alvo de uma avaliação da própria sociedade. Todos exaltam o papel social do jornalismo, a ponto de tentar tornar absoluto o direito à liberdade de expressão, a ponto de considerar qualquer restrição um ato grave de censura.

Mas, nos momentos em que mais percebemos a necessidade desta postura de responsável pela formação da opinião de indivíduos esse papel parece evaporar-se diante da necessidade econômica. Tenho acompanhado a cobertura deste episódio desde o início. Salvam-se uns pela postura de seriedade e de indignação pelo ocorrido, a maioria, no entanto, entra de cabeça na história comovente da jovem de baixa condição massacrada por colegas.

Isso vende. O espetáculo vende. E se vende, é porque alguém tem interesse em comprar. Fato é que, recentemente, já foi noticiado o aplique colocado na estudante e a tintura no cabelo, ambos oferecidos por um cabeleireiro comovido (????) com a história da menina. E isso virou notícia! E a hostilidade dos colegas? E a postura da universidade? Que espaço teremos para discutir estas questões?

Quem dará voz a este debate, o mais importante de todos? É o que me pergunto diariamente.

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Leia também:

>> O que Mary Quant diria sobre os universitários do ABC?
>> Caso Uniban: carta de repúdio da UNE

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O texto publicado abaixo trata da traição virtual e suas implicações judiciais. O conceito de fidelidade conjugal na nossa sociedade ainda é muito pautado em uma cultura machista e patriarcalista, incluindo a existência de um “direito natural” do homem ser infiel e uma “obrigação moral e social” da mulher ser casta. Em outros posts aqui no blog (veja os links mais abaixo) já escrevemos sobre a origem histórica do adultério e sobre o conceito social e antropológico para infidelidade. Nossa intenção ao publicar o material – que tem como fonte a advogada Juliana Marcondes Vianna – não é fazer juízo de valor sobre o que é e o que não é traição, ou ditar regras sobre como os casais devem pautar sua vida afetiva. A intenção é esclarecer um fato de acordo com o que dizem as leis atualmente em vigência no Brasil. Para quem tem dúvidas sobre se a paquera virtual é motivo para divórcio ou não, Juliana esclarece os detalhes. Confiram:

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traicao virtual

*Infidelidade na era da internet
Traição virtual pode representar a quebra do dever de fidelidade e justificar o pedido de separação judicial

A internet, uma das principais invenções tecnológicas do século 20, contribuiu diretamente para o grande avanço nos processos de comunicação e, também, para o acesso à informação. Mas ao mesmo tempo que “diminuiu” as distâncias globais e aproximou pessoas de diversas partes do mundo, a internet facilitou, no âmbito das relações conjugais, a traição. Segundo o Art. 1566 do Código Civil Brasileiro, a troca de mensagens virtuais que revelem um envolvimento amoroso com terceiro evidencia a quebra do dever de fidelidade.

De acordo com a advogada Juliana Marcondes Vianna, associada ao Escritório Katzwinkel e Advogados Associados, a fidelidade remete à lealdade de um dos cônjuges para com o outro e o descumprimento deste dever ocorre, genericamente, de duas formas: por meio da conjunção carnal de um dos cônjuges com um terceiro (adultério) ou de atos que não revelem, a primeira vista, a existência de contato físico, mas que demonstrem a intenção de um comprometimento amoroso fora da sociedade conjugal (quase-adultério). “O simples descumprimento do dever de fidelidade, seja pelo adultério ou pelo quase-adultério, é suficiente para embasar um pedido de separação judicial litigiosa, conforme regulamenta o Art. 1572 do Código Civil”, explica.

foto imprensa

Juliana Marcondes Filho, advogada esclarece sobre infidelidade virtual

A infidelidade virtual pode ser comprovada pelas cópias de e-mails e mensagens em sites de relacionamento que estejam gravadas e disponíveis em um computador que seja de uso comum da família e que não exija senha de uso pessoal para o acesso das informações. “Se o computador é de uso pessoal de um dos cônjuges e se para acessar as mensagens se faz necessária a inserção de senha, é preciso que o outro cônjuge autorize o acesso, sob pena de estar configurado ofensa à garantia constitucional da intimidade e vida privada e a prova ser invalidada. Seguindo estas regulamentações, a apresentação desse material em Juízo é legal e válida”, completa a especialista.

Consequências da traição

Segundo a advogada Juliana Marcondes Vianna, após a comprovação da infidelidade de um dos cônjuges em um pedido de separação judicial litigiosa, os Art. 1578 e 1704 do Código Civil estabelecem que o cônjuge traidor pode perder o direito de uma o sobrenome do outro e se precisar, receberá pensão alimentícia apenas em valor indispensável para sua sobrevivência, isso se não tiver aptidão para o trabalho e nem parentes em condições de auxiliá-lo. Além disso, ela explica que as referidas consequências da traição são analisadas pelo Judiciário independentemente da aferição da culpa do cônjuge traidor pela separação. “O entendimento de grande parte dos tribunais brasileiros e da doutrina contemporânea de direito de família é no sentido de não declarar a culpa na separação. A idéia é que discutir a culpa nestes casos significa abrir espaço para um debate inócuo, desconsiderando que o rompimento da relação é resultado de uma sucessão de acontecimentos e desencontros próprios do convívio e das fragilidades pessoais de cada cônjuge”, detalha.

Apesar dos cuidados ao tratar da possível culpa, nos casos em que a infidelidade não foi apenas causa da ruptura do casamento, mas também, motivo de aniquilação da honra do cônjuge ofendido, que implique para ele em dificuldades e abalos psíquicos consideráveis, será possível a reparação pelo dano moral sofrido. “O cônjuge traidor não será declarado culpado pelo fim do casamento e nem sofrerá sanções específicas na separação por seu comportamento. No entanto, isto não quer dizer que quem sofre com a traição deva amargurá-la para sempre. Se o dano sofrido foi substancial, sua reparação, no âmbito da responsabilidade civil, pode ser avaliada”, finaliza Juliana Marcondes Vianna.

*Material encaminhado ao blog pela Lide Multimidia, empresa de comunicação.

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Outros posts sobre adultério, traição e infidelidade:

>>De onde vem a família moderna

>>Traição, infidelidade e afins

>>Histórias da infidelidade humana

Para os amantes da poesia, a série Traça de Biblioteca nesta sexta-feira traz o lançamento de uma nova coletânea dos poemas de Carlos Drummond de Andrade. Para o público infanto-juvenil, indicamos o segundo volume da saga de Ulysses Moore. Já o relato, baseado em fatos reais, O Infiltrado, sobre a mafia e o FBI,  é para aqueles que gostam de investigar o submundo, numa mistura de filme policial noir e realidade. Para terminar, a série também destaca o romance da escritora portuguesa Margarida Rebelo Pinto, Pessoas Como Nós. Boa leitura!

NOVA REUNIÃO DE DRUMMOND
A coleção resgata poemas que Carlos Drummond de Andrade publicou originalmente pela José Olympio em 1969. A obra foi posteriormente ampliada pelo autor e reeditada com 19 livros (1983). Agora, são 23 livros de poesia compilados em 3 volumes.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu em Itabira, Minas Gerais. Em 1921, vivendo em Belo Horizonte com a família, teve seus primeiros trabalhos publicados no Diário de Minas. Em 1924, conheceu Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral e nessa mesma época deu início a uma longa correspondência com Mário de Andrade, de quem recebeu orientação literária. Em 1927, fixou-se em Belo Horizonte trabalhando como redator e depois redator-chefe do jornal Diário de Minas. Ao completar 80 anos, o escritor recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e foi homenageado com exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Fundação Casa de Rui Barbosa. Em 1984, decidiu encerrar a carreira de cronista regular, após 64 anos dedicados ao jornalismo. O poeta faleceu em 1987 deixando cinco obras inéditas: O avesso das coisas, Moça deitada na grama, Poesia errante, O amor natural e Farewell, além de crônicas e correspondências. Há livros de Drummond traduzidos para o alemão, búlgaro, chinês, dinamarquês, espanhol, francês, holandês, inglês, italiano, latim, norueguês, sueco e tcheco.

>>Visite o site oficial do autor

Drummond 1VOLUME 1, Oito livros de poesia:  Alguma poesia – Brejo das almas – Sentimento do mundo – José – A rosa do povo – Novos poemas – Claro enigma – Fazendeiro do ar

Edições BestBolso – Grupo Editorial Record
420 páginas
Preço: R$14,90

Drummond 2VOLUME 2, Seis livros de poesia: A vida passada a limpo – Lição de coisas – A falta que ama – As impurezas do branco – A paixão medida – Boitempo I

Edições BestBolso
392 páginas
Preço: R$14,90

Drummond 3VOLUME 3, Nove livros de poesia: Boitempo II – Boitempo III e SELEÇÃO DOS LIVROS: Viola de bolso – Versiprosa – Discurso de primavera e algumas sombras – Corpo – Amar se aprende amando – O amor natural – Farewell

Edições BestBolso
574 páginas
Preço: R$14,90

NAS AREIAS DO TEMPO

image002Neste segundo volume da série Ulysses Moore, Jason, Julia e Rick se aventuram nas dunas do Egito antigo.  Para quem não acompanha a série, na aventura anterior os leitores conheceram os gêmeos Jason e Julia que, com a ajuda de um espevitado garoto, Rick, desbravaram a mansão de Vila Argo, lugar de muitos segredos. Neste segundo episódio – Ulysses Moore — A loja dos mapas esquecidos -, os três amigos vão se deparar novamente com situações-limite que prenderão a atenção do começo ao fim. A aventura continua exatamente após o término do primeiro livro: depois de desvendarem vários segredos, os três descobrem um antigo navio, o Métis, escondido em uma gruta subterrânea. Ao explorarem o interior da embarcação, os jovens vão parar no antigo Egito, palco das novas aventuras. Adaptada pelo italiano Pierdomenico Baccalario, a série Ulysses Moore foi traduzida para diversas línguas e destaca-se por possuir uma narrativa leve, prazerosa e envolvente. O autor vai recheando a história com muito suspense, enquanto que familiariza os leitores com a trama e as personagens.

Ulysses Moore – A loja dos mapas esquecidos

Adaptação: Pierdomenico Baccalario

Selo: Prumo Jovem

232 páginas

Preço: R$ 29,90

O FBI E A MÁFIA

INFILTRADOA família Gambino é uma das cinco famílias da “Cosa Nostra”, em Nova York e é reconhecida como a família mais poderosa do crime nos Estados Unidos. A lista dos delitos é longa, mas em terras norte-americanas em vez da prática de extorsão, a máfia italiana dedica-se principalmente ao tráfico de drogas, aliado a crimes como homicídio, tentativa de homicídio e de violação, conspiração, roubo. Em 2008, os Gambino voltaram às manchetes com a prisão de 54 beneficiários, entre eles estava o novo chefão do clã, Frank Cali.  A ação foi resultado de uma investigação chamada “Old Bridge”, que monitorava famílias mafiosas de Palermo envolvidas com o tráfico de drogas entre a Itália e os Estados Unidos. Infiltrado – O FBI e a Máfia é uma história verídica sobre a investigação à família Gambino, conduzida por um agente secreto do FBI, que resultou em uma série de prisões. Joaquim “Jack” Garcia era um dos agentes mais improváveis do FBI. Cubano, naturalizado americano, um metro e noventa de altura e cento e cinquenta quilos, não era o típico G-man (Government man). Mas ele tornou-se um dos poucos agentes dedicados exclusivamente ao trabalho sob disfarce. A diferença entre Jack e a maioria dos agentes é que ele trabalha em vários casos importantes simultaneamente, infiltrado, às vezes fazendo malabarismos com cinco ou seis identidades e desempenhando os papéis correspondentes. Fez isso durante 24 dos seus 26 anos de serviço, com 45 investigações secretas de longa duração, além de incontáveis operações secretas de curta duração. Infiltrado – o FBI e a Máfia é um relato empolgante da luta entre a lei e o crime organizado, à altura de histórias clássicas, como Donnie Brasco: uma viagem ao submundo dos Estados Unidos, por meio das lembranças de um condecorado veterano do FBI. Em 2010, o livro ganha uma versão cinematográfica produzida pelo diretor de Che Steven Soderbergh com roteiro de Peter Buchman, também de Che. O título provisório da película é Making Jack Falcone.

Autor: Joaquim Garcia

Tradução: Vera Martins

Editora: Larousse do Brasil

320 páginas

Preço: R$ 49,90

PESSOAS COMO NÓS

pessoas como nosSucesso absoluto em Portugal e na Europa, Margarida Rebelo Pinto foi uma das responsáveis por levar a nova geração de autores lusitanos para o topo das listas de mais vendidos. Depois de conquistar o público brasileiro com os romances Não há coincidências, Sei lá e Alma de Pássaro, a autora regressa com Pessoas como Nós, um retrato implacável de uma geração de homens e mulheres entre 30 e 40 anos na atual sociedade urbana portuguesa. O que pode separar duas irmãs? Como se perde uma grande amizade? E o amor de uma vida? Três mulheres revelam seus temores, angústias e segredos surpreendentes, às voltas com sua própria solidão

Margarida Rebelo Pinto

Editora Record

272 páginas

Preço: R$ 39,00

Recebemos outro artigo preparado pela psicológica Luciana Leis, especializada em atendimento a casais com problemas de reprodução. Aliando conhecimento teórico sobre o tema e a prática cotidiana no consultório,  a especialista comenta a ansiedade de muitos casais que querem um filho a qualquer preço e do quanto essa impaciência pode afetar o próprio tratamento. Após ler o texto de Luciana fiquei refletindo também se em alguns casos, em que já se esgotaram tantos métodos, física e psicologicamente, não seria o caso de partir para uma adoção? Lógico que, muitos casais querem ter seu próprio bebê, legar seus gens, além de legar sua cultura. Filho, biologicamente falando, antes de mais nada , é descendência, é a forma que nós, seres perenes, temos de nos eternizar. Mas, ao educar, amar e criar uma criança adotiva – e são centenas as que aguardam um lar no Brasil  – podemos extrapolar as fronteiras da biologia e distribuir como herança um pouco das nossas ideias, da visão de mundo, dos sentimentos que nunca morrem e podem multiplicar-se naquela criança e em todos os que conviverem com o adulto que ela irá se tornar. Ainda assim, aos que estão passando por tratamentos de reprodução assistida e precisam de uma palavra de apoio e incentivo, segue o texto de Luciana:

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**A “maratona” emocional dos tratamentos de reprodução assistida

Luciana Leis*

reproducao assistidaQuando um casal recebe do médico o diagnóstico de infertilidade e a indicação de tratamento, muitas vezes, não faz a menor idéia do que vem a ser uma técnica de reprodução assistida. Ambos acreditam que, tão logo iniciem o tratamento, terão a tão almejada criança em seus braços. Porém, a realidade nem sempre é assim…

Para a maioria dos casais, são necessárias várias tentativas de tratamento até a realização do sonho, visto que, a cada tentativa, as chances da técnica dar errado são maiores do que as de dar certo. No entanto, muitas pessoas iniciam o tratamento, acreditando que engravidarão “de primeira”, negando para si próprias a possibilidade do “não”.

Em geral, com o resultado negativo, o tamanho da frustração costuma ser de acordo com o da idealização, sendo bastante dolorido esse processo, até que o casal possa se recompor emocionalmente. Há casais que chegam a abandonar o tratamento ou têm dificuldades para reiniciá-lo, justamente por não desejarem passar por esse sofrimento novamente.

Outra situação bastante freqüente nos tratamentos de reprodução humana assistida é a troca de médico, quando a tentativa de engravidar não dá certo. É necessário haver um responsável – ou um culpado – por esse fracasso, porque, para muitos, é difícil aceitar que tentar algumas vezes pode fazer parte desse processo. Presenciamos, muitas vezes, que a imagem de quase “Deus”, construída pelo casal para a figura do médico, de um momento para o outro, se inverte para a imagem do “Diabo”, que passou a castigá-los.

Muito comum também durante o tratamento é o casal querer logo mudar de técnica, se não obtiver o resultado desejado. Em certos casos, mesmo com a indicação médica para continuarem com o mesmo procedimento, o casal acaba insistindo em realizar “algo mais avançado”. Entretanto, já sabemos que as técnicas de reprodução humana assistida mais simples podem chegar a resultados positivos, e que quem decide o que pode ser melhor para cada caso são os profissionais que  acompanham o casal. Há casais que tentam controlar o que não é controlável, e acabam quase que atropelando o saber do médico.

Cada casal tem uma história particular e, assim como existem os que engravidam logo na primeira tentativa, há também os que precisam tentar várias vezes, até o resultado positivo de gravidez, que jamais seria possível sem a persistência e o real enfrentamento dessa situação.

luciana leis*Luciana Leis é psicóloga.

**Material encaminhado ao blog pela MW assessoria de comunicação.

Visite o blog da especialista:

>>compartilhandovidencias.blogspot.com

>>Para seguir Luciana Leis via twitter, clique aqui

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Outros artigos da autora que já publicamos:

>>Uma conversa séria sobre gravidez

PalmadasRecebemos um material elaborado pela equipe da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) sobre castigos físicos e os danos psicológico e morais na infância e adolescência. Deixar de bater em um filho porém, não significa que vamos deixar de dar-lhe limites e de, em certos momentos necessários, usarmos nossa autoridade de pais e mães para recusar alguma coisa que sabemos que naquele momento não é adequado para nossos filhos. Existem outras formas de educar que são muito eficazes e que passam longe de puxões de orelha e surras. No contexto de sociedade em que nossos avós viviam e bem antes deles, a palmatória na escola e o cinto de fivela em casa eram a norma. Ouço muita gente dizendo que naquela época os índices de criminalidade e uso de drogas eram bem menores. No entanto, não era por causa das surras nas crianças, era por todo um conjunto de fatores sociais, incluindo o tamanho da população mundial, bem menor, a quase ausência de vida urbana, resquícios de regimes autoritários que iam do colonialismo às ditaduras do começo do século XX e outras variáveis. Não significa que a violência não existisse. Existia sim, em larga escala, como hoje, contra mulheres e crianças. A diferença é que naquela época, era legitimada pelo patriarcalismo. O que não quer dizer que não estivesse errado. Mas a sociedade evoluiu e é preciso que saibamos lidar com nossos problemas, incluindo a educação infanto-juvenil, de uma forma menos bárbara que antigamente. Do contrário, a ideia de civilização cai por terra. Dizer NÃO para uma criança é uma das formas eficazes de educar, mas sempre dizer um não contextualizado, para fazer a criança entender porque não pode isso ou aquilo. O que vejo por aí são muitos pais que abominam a palmada, mas também não conseguem controlar os próprios filhos, criando verdadeiros “monstrinhos”, pequenos ditadores que desconhecem o respeito ao próximo. Vale a pena ler a reportagem da ANDI e acessar os links indicados pela Agência. Mas vale também refletir sobre o que de fato estamos fazendo para educar as futuras gerações.

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**Castigos físicos, mesmo com caráter “educativo”, causam danos à saúde de crianças e adolescentes

Estudos demonstram que crianças expostas à violência doméstica podem acabar se transformando também em agressores

A linha que separa o castigo corporal autorizado do maltrato infantil é muito tênue

Castigos podem gerar problemas de saúde mental e comportamento anti-social

O castigo físico contra a criança e o adolescente dentro do próprio lar é uma das formas mais comuns de violência familiar cometida no Brasil e no mundo, praticada há tempos e socialmente aceita como método corretivo pela maioria dos pais. Para muitos, dar uma palmada ou puxar a orelha dos filhos quando se comportam mal, entre outras formas de castigo corporal, é uma maneira eficaz de educá-los, contribuindo para o controle e a disciplina.

palmadas 2Segundo o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) lançado em agosto deste ano, somente 24 países proíbem os castigos físicos legalmente, e destes, apenas três são membros da Organização dos Estados Americanos (OEA): Uruguai, Venezuela e Costa Rica. Por outro lado, países como Peru, Brasil, Canadá e Nicarágua apresentaram recentemente iniciativas legislativas para proibir o castigo corporal contra as pessoas com menos de 18 anos. Em seu documento, a CIDH pede que os Estados proíbam toda forma de violência contra a infância e adolescência e solicita políticas públicas que enfoquem integralmente os direitos da criança. Estabelece, ainda, que até 2011, os países formalizem mecanismos de prevenção contra a violência infantil, incluindo medidas que possibilitem aos meninos e meninas denunciar maus tratos e, principalmente, serem ouvidos.

O relatório Mundial sobre a Violência e a Saúde (2002) e o Relatório sobre a Violência contra as Crianças, produzido pelo especialista Paulo Sérgio Pinheiro em 2006 para a ONU, conceituam a violência como o uso deliberado da força física ou do poder contra uma criança por uma pessoa ou por um grupo, seja por uma ameaça ou de forma efetiva, que cause ou tenha muitas probabilidades de causar prejuízo efetivo ou potencial à saúde dessa criança, à sua sobrevivência, seu desenvolvimento ou sua dignidade. Uma grande proporção de crianças e adolescentes em todo o mundo sofre significativa violência em seus lares. O estudo afirma, ainda, que grande parte da violência exercida contra o público infanto-juvenil permanece, por muitas causas, acobertada, dificultando a aplicação da justiça. Uma das razões para isso é o medo: muitas crianças têm temor de denunciar os episódios de violência que sofrem. Em outros casos, pais e mães, que deveriam proteger seus filhos, também por medo preferem o silêncio, principalmente se o responsável pela violência é o cônjuge ou algum membro da família.

palmadas 3A aceitação social da violência é um fator fundamental. Tanto as jovens vítimas quanto os agressores podem aceitar a violência física, sexual e psicológica como algo inevitável. E a disciplina cumprida mediante castigos físicos e humilhantes, intimidação e abuso sexual, com frequência é percebida como algo normal, especialmente quando não produz danos físicos “visíveis” ou imediatos.

Na publicação Situação Mundial da Infância 2007, o Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef aponta que, todos os anos, 275 milhões de meninos e meninas de todo mundo sofrem violência doméstica e padecem das consequências de uma turbulenta vida familiar. No próprio lar podem ser identificados diferentes tipos de violência como a física, gerada ao se aplicar castigos corporais; a verbal e psicológica, manifestada por palavras ofensivas, xingamentos, humilhações, gritos e insultos; e a violência sexual contra crianças e adolescentes, que consiste em praticar condutas sexuais seja por ameaças, agressão física ou chantagem emocional.

Mesmo que meninos e meninas não sejam o alvo imediato da violência familiar, as consequências para seu desenvolvimento futuro são grandes e graves. Estudos demonstram que algumas crianças que foram expostas à violência doméstica acabaram se transformando também em agressores, perpetuando o círculo vicioso durante gerações. Pesquisas realizadas em alguns dos principais países em desenvolvimento – como China, Colômbia, Egito, Filipinas, Índia, México e África do Sul – indicam que existe uma notável correlação entre a violência contra as mulheres e a violência contra a infância.

Já na maioria dos países da América Latina, segundo a organização Save the Children Suécia, a magnitude do problema do maltrato infantil não está suficientemente visível. As estatísticas que descrevem a violência física contra meninos e meninas correspondem a fontes de informação parciais, uma vez que em nenhum desses países existem dados oficiais centralizados que quantifiquem as diferentes intervenções de instituições públicas e privadas que cuidam das vítimas infanto-juvenis.

Lesões Físicas e Psicológicas – A eficácia do castigo físico diminui com o tempo e o grau de severidade tem que ser aumentado sistematicamente. O castigo corporal contra crianças e adolescentes pode lhes causar não só lesões, mas danos permanentes e até levá-los à morte. Atitudes extremas como essas constituem o maltrato infantil, forma distinta de castigo físico. Nos Estados Unidos, uma revisão de 66 casos de maltrato infantil concluiu que tanto o abuso quanto o maltrato ocorrem na maioria das vezes como “uma extensão de ações disciplinares que, em algum momento, e aos poucos, cruzam a linha que separa o castigo corporal autorizado do maltrato infantil não autorizado”.

O relatório mundial sobre Violência e Saúde da Organização Pan-americana de Saúde, divulgado em 2003, investigou provas de que enfermidades importantes da idade adulta – entre elas a cardiopatia isquêmica, o câncer, doença pulmonar crônica, a síndrome do intestino irritável e a fibromialgia – podem estar relacionadas com experiências de maltrato durante a infância. Em casos extremos, apanhar quando pequeno pode trazer, ainda, consequências mais graves para a saúde, como transtornos psiquiátricos e comportamento suicida.

De acordo com uma investigação feita pelo professor Murray Straus, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, meninos e meninas castigados fisicamente apresentam, depois de quatro anos, um coeficiente intelectual baixo em comparação com os que nada sofreram. No grupo mais jovem, as crianças que não apanharam apresentaram 4 pontos a mais em seu coeficiente de inteligência do que as crianças que foram castigadas fisicamente. No grupo de crianças entre os 5 e 9 anos de idade, aqueles que não apanharam tiveram 2.8 pontos a mais em seu coeficiente intelectual que do os que sofreram castigos físicos, depois de quatro anos.

violencia criançaJá um informe elaborado por profissionais da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, destacou que o castigo físico põe em risco as crianças, gerando problemas de saúde mental e comportamento anti-social. Os castigos corporais não melhoram a conduta dos pequenos, como se pensa. Ao contrário disso, as vítimas tendem a perder a concentração nos estudos e aumentam suas possibilidades de se tornarem pessoas agressivas, competidoras e com predisposição a desenvolver, no futuro, relações violentas.

Segundo Márcia Oliveira, oficial de Programa para a América Latina e o Caribe da Save the Children Suécia, a temática dos castigos físicos no Brasil já foi vista com muita resistência. Mas foi a partir de 2005 que começou a surgir adesão de alguns grupos locais, provavelmente como reflexo do movimento internacional que estava sendo configurado. “A violência punitiva no Brasil começou com os escravos, depois com a mulher. A mulher lutou muito contra isso e nem em relacionamentos é mais permitido qualquer tipo de agressão, principalmente depois da lei Maria da Penha. Até com os animais é proibido o uso de violência, nos circos existe todo um cuidado, uma cobrança. Só com as crianças que a violência física continua sendo permitida. Temos que pular esta etapa de igual forma, ainda mais quando o que sustenta esta prática é o mito da validade do castigo com fins de educação”, defende.

Márcia lembra que muitas pessoas não percebem os castigos físicos e humilhantes como uma forma de violência. E é essa violência que pode, em alguns casos, levar a criança para a rua. “Não é tanto a questão da pobreza, mas é a violência que leva a criança e o adolescente para a exploração sexual, para as drogas, para a prática do bullying. Não é uma causa única, mas contribui para o processo. Uma criança ou um jovem que pratica o bullying contra os colegas, por exemplo, normalmente está refletindo o que vive em casa, propagando a violência para o ambiente escolar”, aponta. “Se há presença da violência no espaço de maior proteção da criança, que é a família, imagina nos outros espaços”, lamenta Márcia.

Saiba mais:

>>Relatório sobre o Castigo Corporal e os Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes 2009 – Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) (em espanhol)

>> Situação Mundial da Infância 2007 – Unicef (em PDF)

>>Abuso Sexual Infantil e Exploração Sexual Comercial Infantil na América Latina e no Caribe 2006 – Save the Children Suécia (em espanhol)

>>Rede Não Bata, Eduque

>>Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância

**Material encaminhado ao blog via email pela assessoria de comunicação da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância)

Inclusão Cultural Submarino Para quem está a fim de renovar a biblioteca ou comprar um livrinho novo para acrescentar ao currículo das leituras, o site Submarino está com uma promoção bacana. São 10 mil livros por R$ 10,00, cada. E dá para encontrar vários títulos bons, é só ter um pouquinho de paciência e pesquisar.

Aproveitem, meninos e meninas.

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