Eu e minha bike, o (re)começo

Ganhei minha primeira bicicleta quando ainda era uma garotinha. Lembro bem a circunstância. Na época, a minha rua seria asfaltada – àquela época ela era de barro – e eu e meus amiguinhos, todos pedimos aos nossos pais uma bicicleta de presente de Natal. Ficamos muito ansiosos, até o grande dia. Chegou o Natal e a criançada toda desceu com as bicicletas para inaugurar as magrelas e o asfalto recém assentado. Foi uma alegria.

A minha bicicleta era uma Caloi. A cor dela era verde, um verde pastel clarinho. O modelo era feminino, mas não tinha cestinha. Passei um tempo viciada, brincava sempre na rua, tomei algumas quedas fazendo estripulias sobre duas rodas. Até que a febre passou. E eu, menina curiosa, decidi desmontar minha bike para ver como funcionava toda a engrenagem dela, para montar depois e virar “expert” no assunto. Ah, crianças!

O que aconteceu foi que as peças foram parar em uma mochila, o quadro ficou pendurado em uma parece por muito tempo, e as rodas, esquecidas atrás de um armário. Nunca montei ela de volta. Em uma oportunidade de fazer outra criança feliz sobre duas rodas, decidi doar as peças. Lembro bem que amava aquela sensação de andar com o vento no rosto, da liberdade que ela proporcionava. Tempo bom.

Passei muitos anos sem bicicleta depois disso. Usei algumas nesse meio tempo, emprestadas por outras pessoas ou alugadas. Minhas recordações se afloram enquanto escrevo, passei algumas situações engraçadas. Certa vez, passava as férias em uma casa de praia e peguei uma bike emprestada para comprar vinho. Nesta época eu ainda bebia. Fazem cerca de quatro anos que parei. Mas voltando…

Fui à praça toda animada, parei no bar, comprei a garrafa e estava de volta, quando o saco plástico começou a romper. Na tentativa de salvar a garrafa, tomei uma mega queda! Mas o vinho ficou intacto. Levantei, peguei um novo saco plástico – desta vez, dois – e voltei para a bike, chegando em casa com alguns arranhões, mas sã e salva, e de vinho em punho.

Também aluguei bicicleta no Parque de Pituaçu, em algumas oportunidades. Nos finais de semana, combinava com dois amigos e íamos pra lá pedalar os 16km de ciclovia e tomar água de coco. Não se falava tanto em violência ou insegurança no parque, naquela época. Íamos nos finais de semana, e de lá emendávamos uma praia. Outra fase legal, que passou. Cada um direcionou a vida de uma forma, os finais de semana de folga já não coincidiam, e a pedalada ficou para trás.

Até que a vontade de pedalar nasceu de novo. E desta vez nasceu intensa, arrebatadora. Já estava decidida a adquiria a minha própria, mas fiquei um pouco perdida para escolher um modelo. Uma amiga viajou e entrou em contato comigo de lá de onde ela estava, dizendo que havia encontrado uma bike e que bastava eu autorizar a compra, para ela trazer para Salvador. Não pensei duas vezes. Uma semana depois ela estava comigo.

Recomecei a vida de pedalante. Ainda não estou do jeito que quero com relação à bike. Para minhas intenções, pedalo muito menos do que queria. A geografia de Salvador não ajuda muito os iniciantes que querem começar a usar a bike como meio de transporte, principalmente aos que moram em determinados bairros. Achei um grupo de meninas pedalantes, o Meninas ao Vento, e fui muito bem acolhida por elas, só tenho a agradecê-las!

Não faço planos nem promessas. Apenas pedalo. Sou apaixonada pelas duas rodas e sempre me pergunto porque demorei tanto a voltar a andar de bike. Mas desta vez, não vou parar. Posso não pedalar tanto quanto queria – ainda-, mas não vou parar. E, para mim, é o que importa!

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Sobre Alane Virgínia

Apaixonada por livros, letras, sons, imagens e pessoas. Advogada por vocação e jornalista nas horas vagas.
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4 respostas para Eu e minha bike, o (re)começo

  1. Francesca disse:

    Oi! Vc é de Salvador? Gostaria de saber um pouco mais sobre esse grupo de bike, pois tb estou com vontade de voltar a pedalar!!!

    ww.achochicc.blogspot.com

    beijinhos!!!

  2. Francesca, fiquei super feliz ao ler seu comentário, afinal será mais uma pedalante na cidade. Eu sou de Salvador, sim, e o grupo a que me referi é o Meninas ao Vento. Elas estão no facebook, no endereço: https://www.facebook.com/#!/groups/208147085864899/
    Dá uma passadinha por lá, se integre ao grupo e volte a sentir aquela sensação maravilhosa do vento no rosto. Você será muito bem-vinda, e as meninas são maravilhosas! Espero ter ajudado a aumentar ainda mais esta sua vontade de pedalar. Beijo grande!

  3. Mila disse:

    Desde que você falou do grupo, fiquei suuuper interessada. Mas na minha situação complica um pouco, né? Minha pequena ciclista me ocupa um pouco de tempo! Daqui a algum tempo, com ela maiorzinha, eu e ela entraremos juntas no grupo… Pense aí, que lindo não ia ser? rs Beijoooo!

  4. Que lindo ia ser, não, amiga, que lindo VAI ser!!!! Vou aguardar ansiosa pela pequena pedalando com a gente, toda animada!!! AMO!

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