Crianças e fashionismo: Um papo sobre a noção de limites

*Texto e reflexões de Andreia Santana

Já era para ter escrito esse post, mas o tempo nem sempre favorece a vida de blogagem. O tema porém, é daqueles que sempre vale a pena meter a colherzinha e, recentemente, dois bons “ganchos”, como se diz no jargão jornalístico, me fizeram pensar bastante sobre a relação das crianças com o universo da moda e a noção de limites que os adultos precisam estabelecer para evitar distorções na educação da meninada, principalmente das meninas.

Duas amigas acabaram favorecendo minha “filosofagem” sobre o assunto. Uma delas me enviou link do site do Estadão, com reportagem sobre as “mini socialites fashionistas” e uma outra, com a frase “para você, que milita na causa” (referindo-se ao meu interesse por educação infantil, embora eu não seja educadora, apenas mãe), me trouxe um exemplar da Folha de São Paulo do último dia 07 de abril, com reportagem sobre marcas de lingerie que estão fabricando sutiãs com enchimento para meninas de seis anos!

Na primeira reportagem, do Estadão, sobre as fashion kids, o leitor é apresentado a um grupo de meninas na faixa dos cinco aos dez anos, junto com suas respectivas mães. O texto mostra como essas meninas, devidamente estimuladas pelas mães, frequentam semanas de moda e consomem – ou ao menos desejam avidamente – marcas top de linha como Prada e Dior. Uma das mães chega a dizer, em tom casual, que não imagina a filha vestindo uma roupinha das lojas de fast fashion (ela cita a Renner) nem para dormir! Outra, empolgada com a matéria, diz que se considera uma pessoa bem humilde, pois dirige um Vectra, embora more em um apartamento de dois milhões de reais. Mais adiante, uma terceira mãe, questionada sobre de que forma o consumo de alto padrão é tratado na escola das crianças, responde, igualmente de forma casual, que este é um problema muito sério, que na escola discute-se “o que fazer com as crianças que não tem condições de viajar à Disney todo ano”!! Preciso dar mais exemplos?

Cena de concurso de beleza infantil no belo filme Pequena Miss Sunshine. A pequena Oliver (Abigail Breslin), é discriminada pelos organizadores do concurso por ser "fora do padrão"

O objetivo aqui não é criticar os ricos ou bancar uma Robin Hood de saias, porque seria hipocrisia e leviandade. Não tenho absolutamente nada com a vida alheia, não me considero palmatória do mundo e tampouco quero ensinar a quem tem dinheiro como gastá-lo. Só digo que esta não é a minha realidade e nem a de milhares de pessoas. Mas, se alguém tem cacife para pagar luxos, pequenos ou grandes, que os pague. Não sou contrária ao consumo dos itens do universo de beleza também, seria uma contradição, já que mantenho um blog feminino que fala entre outras coisas, de consumo e produtos de beleza, que eu uso, bastante. Também não sinto inveja das socialites que podem vestir as grifes internacionais. Pessoalmente, gostaria até de ter algumas peças que me falaram ao senso estético, mas como meu bolso não permite, sou bastante feliz garimpando peças nas fast fashions e demais lojas ou marcas que se adequam à minha realidade financeira, inclusive nos magazines e sacoleiras da vida. Isso não significa que não admire o trabalho dos deuses da moda. Mas para mim, por enquanto ao menos, é como admirar uma bela obra de arte em um museu: posso ver, desejar, mas não dá para levar para casa. Simples assim.

O que me leva a refletir aqui no blog sobre essa reportagem das mini fashionistas e a outra sobre os sutiãs com enchimento para meninas que sequer tem peitos ainda não é a questão de ter ou não roupa de grife, mas a noção de limite, da formação cidadã das crianças, do tipo de mundo que está sendo mostrado para elas e que só se sustenta dentro de uma bolha, do microuniverso onde elas gravitam, mas que, fatalmente, vai resultar em choque com a realidade aqui de fora. Até porque, em algum momento, as crianças crescem e saem da bolha. O choque é tanto para elas quanto para quem sofrerá o preconceito. Até porque, nem todo mundo vai circular na mesma rodinha. “O que fazer com as crianças que não podem ir à Disney todo ano”, lembram?

Foto tirada de reportagem sobre vaidade infantil no site da Abril

Exclusão, dificuldade em aceitar a diversidade do mundo, incapacidade de interferir em uma realidade desigual e divergente daquela da “bolha”. Isso é o que me assusta.

Me preocupa muito, por exemplo, que uma sociedade combata a pedofilia com tantas campanhas e ao mesmo incentive a sexualização precoce das meninas, vestindo-as como miniadultas, fazendo-as comportar-se como mulheres e consumir produtos que seriam mais adequados depois que elas tivessem maturidade suficiente para administrar as consequências. Não sou a favor que meninas de dois, cinco, sete anos de idade pintem as unhas, façam progressiva no cabelo, usem maquiagem. Me dá sempre a sensação de que estão roubando uma fase importante da vida dessas meninas, que estão abreviando suas infâncias e levando-as a parecer maduras, quando na verdade são apenas o simulacro de um adulto que, por amadurecer praticamente à força e antes da hora, acabará infantilizado.

A indústria da beleza quer vender e não importa para quem. E quanto mais cedo o consumo começar, melhor. Essa é a lógica do capitalismo, que é antropofágico, se alimenta de si mesmo. E isso aqui não é discurso político e nem fui eu quem inventou a roda. Séculos antes de eu meter minha colherzinha enxerida nesse angu, filósofos e teóricos da economia já haviam decifrado a lógica que rege a nossa sociedade. Principalmente no ocidente.

A pequena Sure Cruise se tornou celebridade badalada não apenas por ser filha do casal de astros de Hollywood Tom Cruise e Katie Holmes, mas por "ditar" moda para menininhas e até interferir no guarda-roupas da mãe

Portanto, lógico que donos de marcas de cosméticos e lingeries vão dizer que não tem nada demais vender seus produtos para meninas recém-saídas dos cueiros. E, ironia, vão jogar com os arquétipos da psicologia para empurrar cada vez mais produtos, para criar cada vez mais “necessidades” urgentes de ter algo que seria perfeitamente dispensável se a coisa fosse pensada de modo racional. Mas o consumo, e nós mulheres adultas que vez por outra caímos em tentação e compramos mais do que nossos cartões aguentam, bem sabemos, não é racional, mas emotivo. É a busca por prazer que nos leva a adquirir coisas que, racionalmente, não temos necessidade de possuir. É uma massagem no ego, um alento, um refinamento de gostos, ou de alma (cada um busca suas desculpas), cobiçar o belo, estar bela. É questão de autoestima – eu acredito nisso –  e de projeção: o que queremos mostrar aos outros? Nosso melhor lado, claro! Ninguém quer parecer mal na fita, nunca.

As crianças, tanto quanto nós, também querem a sensação de prazer. Se são ensinadas a tirá-la apenas do consumo, vão consumir como formigas saúvas na plantação, vorazmente. A diferença é que enquanto nós – na maioria das vezes – sabemos quando parar, nem que seja porque o limite do cartão acabou, elas não sabem. A menos que a gente ensine.

Freud e cia. explicam melhor que eu, inclusive, essa relação/necessidade que temos do prazer e da busca pela felicidade para dar sentido à vida, que a bem da verdade, ninguém descobriu ainda o que é.

Quando digo sexualização precoce, não estou falando nas teorias da psicologia que já demonstraram que as crianças possuem sexualidade latente, que o ato de mamar, por exemplo, é prazeroso e é preciso que seja assim, para que o bebê empregue a força necessária na sucção e com isso sobreviva, cresça, e a espécie garanta sua perpetuação. Se mamar fosse repugnante, os bebês fatalmente não vingariam. Se fosse um tormento indizível para as mães, o lado primitivo do ser humano, que foge da dor, iria impedi-las de alimentar suas crias. Então, tem componentes biológicos envolvidos aí, óbvio, e tem também toda uma construção de identidade, que é subjetiva e gradativa. Mas existe um ritmo próprio tanto para a natureza ancestral quanto para que a identidade atuem e se consolidem. Minha angústia é que esse ritmo natural vem sendo atropelado pelo consumo sem qualquer reflexão e consciência.

A personagem Mabi, da novela Ti Ti Ti. Aos 11/12 anos, era uma blogueirinha de moda super influente e um ícone de fashionismo. Mas revelava visão crítica tanto da moda quanto das posturas nada éticas que algumas pessoas adotam nesse meio

Quando éramos meninas, muitas vezes imitávamos nossas mães. As crianças aprendem por imitação – outra teoria científica já bem batida – e seus primeiros jogos e brincadeiras reproduzem o que veem no universo adulto. Brincam de escritório, brincam de mamãe, de papai, de guerra, de policia, de desfile, de salão de beleza e por aí vai… As meninas vestem as roupas das mães desde sempre. Vesti muito as da minha, suas camisolas de seda e renda eram as minhas preferidas, nas minhas brincadeiras elas viravam sempre vestido de princesa, lençóis viravam cabelos de sereia.

Mas há uma diferença – e essa é a noção de limite do título do post – entre uma criança espontaneamente reproduzir e interpretar o mundo adulto em jogos lúdicos e esse mundo ser empurrado para cima dela por meio de sutiãs, cintas ligas, estojos de make, concursos de beleza quase selvagens e que servem mais para satisfazer egos frustrados das mães do que de fato beneficiar as filhas. Há uma diferença gritante que está na inocência da criança que, aos cinco anos, olha maravilhada para o corpo da mãe e o dela própria, captando as mudanças de forma sutil; ou que veste um sutiã achando aquela peça engraçada; ou até o coloca na cabeça porque não sabe direito para que serve; e a malícia da indústria, que se apropria dos jogos infantis e os adapta a essa lógica muitas vezes perversa, que faz a roda do consumo girar e, fatalmente, excluir, segregar.

E quem pode dar um basta nisso? Provavelmente ninguém. A ideia não é estabelecer censura ou patrulha ideológica, abolir a indústria que gera empregos ou pregar o politicamente correto; mas apenas advertir que crianças que crescem depressa demais fatalmente vão se tornar adultos com problemas de autoestima. Não é uma regra, lógico, mas dados sobre anorexia nervosa ou dismorfia corporal em garotas de 14 anos, gravidez precoce por uma entrada na vida sexual antes da hora e sem preparo, índices de doenças sexualmente transmissiveis e Aids aumentando entre o público jovem, transtornos compulvisos, aumento no consumo de drogas pesadas (na maioria das vezes como muleta para aguentar a crueza do mundo), crises depressivas e uma infinidade dos chamados “males da civilização moderna” estão aí para provar que alguma coisa de grave está sendo feita com a formação das nossas crianças.

O sutiã infantil com enchimento está no centro da polêmica. Para especialistas em psicologia, o sutiã em si, que já foi símbolo de dominação machista, reconfigura-se em fetiche e erotização, símbolos esses que ainda não se adequam ao repertório das crianças de seis anos, mesmo num mundo de informação ultraveloz e ao alcance como o nosso

Não é preciso ter lido todos os psicanalistas para saber que quando se cria uma criança numa bolha, fazendo-a acreditar que o mundo se curvará ao seu desejo, não se está preparando essa criança para as frustrações da vida adulta, que de uma forma ou de outra sempre virão. A menina rica poderá comprar Dior e Prada a vida inteira, botar botox, morar em coberturas de milhões de dólares, ter todos os assessórios e cosméticos que seu dinheiro puder comprar, fazer lipo, botar silicone, mas nada disso irá livrá-la de uma possível rejeição, ou decepção amorosa, ou da solidão e da velhice. A tecnologia, até agora, só conseguiu retardar, mas parar o tempo ainda não é possível.

Me pergunto: as crianças erotizadas precocemente (porque tem diferença entre a sexualidade infantil latente e o erotismo adulto imposto às crianças), acostumadas a julgar as pessoas pelo ter e não pelo ser, criadas para cobiçar sempre as super marcas e desprezar os coleguinhas que não podem vestir Dior ou passar férias na Disney, essas crianças estarão preparadas para a vida e seu eterno jogo de ganha aqui, perde ali? Saberão lidar com a frustração? Conhecerão o que é respeito, solidariedade? Estarão livres dos preconceitos que vêm agregados à  essa ideia – excludente em si – de perfeição?

Me pergunto sempre no que essa fúria consumista que não poupa nem o curso natural da infância irá nos levar. Por que os pais perderam a capacidade de dizer não aos filhos, criando pequenos ditadores que se acham acima de tudo e de todos?

Não tenho as respostas e nem quero culpar a indústria da beleza pelas mazelas da sociedade, mas quando leio reportagens em que menininhas competem entre si para saber qual delas é a mais it girl dentre as its, com suas mães deslumbradas incentivando a voracidade infantil, confesso que tenho um certo medo do que está por baixo da ponta desse iceberg!

*Andreia Santana, 37 anos, jornalista, natural de Salvador e aspirante a escritora. Fundou o blog Conversa de Menina em dezembro de 2008, junto com Alane Virgínia, e deixou o projeto em 20/09/2011, para dedicar-se aos projetos pessoais em literatura.

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19 respostas para Crianças e fashionismo: Um papo sobre a noção de limites

  1. Eu não tenho filhos, mas fico pensando que quando os tiver como fazer para que eles não sejam contaminados por esses tipo de coisa, porque por mais que você tente fazer diferente sempre tem os coleguinhas que tiveram outra criação e despertam na criança desejos consumidtas que a gente tenta evitar ao máximo.
    É ótimo ver uma criança brincando de desfile, de se vestir igual à mãe, etc, mas como vc disse, de forma ludica e não ficar levando a criança pra salão, incentivando comprar mil roupas e maquiagens…
    beijos!

  2. Oi Isa,
    É complicado sim, mas não impossível. A única forma que conheço de fazer isso, e digo porque sou mãe, é mostrar para seu filho ou filha que ele ou ela não precisam ser ou ter o que o coleguinha tem ou é, para ser aceito ou ser feliz. O que os pais precisam entender é que a autoestima de uma pessoa não pode ser construída e nem estar condicionada ao consumo ou padrões ditados pela indústria da beleza (pq padronizar significa excluir quem não estiver no padrão); que estar bonito e bem ajuda sim e mostra que você gosta de si mesmo, mas que essa busca pela beleza tem um limite, que quando deixa de ser algo que te dá prazer e vira só imposição de modas porque um grupo quer assim ou só para ser aceito num grupo, deixa de valer a pena. É preciso oferecer pra criança outras formas dela construir uma identidade e individualidade, sem obrigá-la a suprir nossas frustrações (tipo, a mãe que queria ser bailarina e obriga a filha a estudar ballet ou que queria ter sido miss e por isso obriga a filha a ficar sem comer para virar a nova gisele). Quando vejo crianças de seis anos usando sutiã com bojo pra simular peitinhos ou gurias de três anos batendo o pé porque exigem ficar de unhas pintadas, acredito que tem algo muito errado. Bjos e obrigada pela visitas frequentes e comentários nos textos aqui do blog 🙂

  3. Daza Moreira disse:

    Andreia, gostei muito de seu texto. PARABÉNS!
    Acredito que é preciso voltar os olhos aos pais e mães que têm proporcionado esse “amadurecimento” precoce para evitar que a abreviação da infância se torne cada vez mais prejudicial às novas gerações. É verdade que as crianças realmente precisam de limites, mas suas famílias também. E nesse ponto, acredito que seja fundamental o papel das instituições escolares, onde especialistas – como pedagogos e psicólogos- podem identificar e diagnosticar os danos causados por essas posturas e orientar os familiares.

  4. Oi Daza, obrigada
    Acredito que psicólogos e pedagogos ajudem a aconselhar, mas não podemos fazer desses profissionais uma muleta. O problema é justamente esse, os pais de hoje deixam a educação dos seus filhos a mercê apenas da escola e dos especialistas, não interagindo com a criança, só seguindo modismos de qual método cientifico está na moda em termos de educação, só pra apaziguar a consciência. Antigamente, os pais usavam uma combinação de disciplina rígida e bom senso, ensinar o que é certo e o que é errado, ou seja, a velha máxima do respeito ao próximo e a si mesmo. Não digo que a disciplina repressora seja a fórmula, aos pais de antigamente, faltava o diálogo porque eles sequer enxergavam nas crianças uma pessoa (“menino não tem gosto e nem tem opinião”, dizia o meu avô, homem que nasceu em 1915!), mas o bom senso, é uma pena a nossa sociedade ter perdido.
    Um beijo e obrigada pelo comentário, suas participações sempre enriquecem o debate 🙂

  5. Olá! Criei recentemente um blog sobre moda infantil, mas que visa mostrar justamente que a criança tem que se vestir como criança, para não perder nenhum momento da vida ficando adulta antes da hora. Gostaria que vc me autorizasse a publicar no blog esse artigo.
    Aguardo e abraços
    Aline

  6. Oi Aline,
    Obrigada pelo interesse. Os artigos que faço aqui para o blog podem ser reproduzidos desde que você cite a autoria, a fonte de onde foi retirado (no caso o nome do Conversa de Menina) e respeite a integridade do texto. Abraços e boa sorte com o seu projeto, é muito bom ver que há pessoas no mundo da moda que respeitam a infância, sem com isso precisar abrir mão da beleza ou estilo.

  7. Daniella disse:

    Nada ve issu , duvido ke kando éram crianças nunka kiseram usar sutiiã

  8. Pois é Daniella, se você tivesse lido o texto direitinho, veria que realmente as meninas adoram brincar de vestir as roupas das mães, falo inclusive da minha mania de usar as camisolas de seda da minha quando eu era garota. Mas isso durante as brincadeiras – tem diferença entre a criança brincar espontaneamente e ser induzida a se comportar como adulta. Não vejo a menor beleza em gurias de seis anos que saem por aí vestidas como se fossem mulheres de 30. Para mim, criança vestida assim parece uma miniatura bizarra de um adulto. É feio, é fake (falso), é brega. Obrigada por comentar no blog. Abraços!

  9. Carla disse:

    m tudo que você escreveu! Só gostaria de esclarecer algo, minha filha estuda na escola dessas meninas , mas Graças a Deus esse pensamento não habita a mente da maioria das mães essas são minorias.

  10. Carla disse:

    Desculpa! O inicio da frase não saiu. Concordo com tudo que você escreveu!

  11. Obrigada, Carla. E você tem razão, não são todas as mães, mas a quantidade delas está aumentando assustadoramente. Abraços

  12. Nossa adorei seu texto! concordo com tudo! acho um exagero essa historia de consumo sem limites ainda mais com crianças.
    Sou designer de moda, e em 2007 fiz meu tcc junto a mais 3 amigas.
    Criamos uma marca infantil para crianças, não para reproduzir os que as maes usam e tudo mais.
    Acho um absurdo o programa pequenas misses.
    Não sou mãe, mas com certeza, tentare fazer a diferença qdo tiver meus filhos. Criança tem q se criança.
    adorei toda sua abordagem.. do início ao fim!
    parabens!

  13. Oi Amanda, obrigada 🙂

  14. Thamara disse:

    Oi, realmente existem exageros no comportamento de algumas mães, mas da maneira que você colocou parece que hoje em dia > todas < as mães estão induzindo as filhas a se tornarem mini adultas, e não é bem assim, essas são apenas a minoria, como já citado em comentários acima.
    Vou colocar minha opinião em tópicos, mas porque encontro facilidade para me expressar assim, e me desculpe se ficar meio autoritário, essa não é a intenção, apesar que.. você não se preocupa muito com autoritarismo pelo que eu pude perceber.

    – você fala sobre a maneira das mães influenciarem as filhas a gostarem de roupas de marca, mas você queria o quê? que as mães influenciassem elas a vestir renner? se elas tem condições o mais natural é isso, se pra você essas roupas são como entrar num museu e só admirar, para elas é entrar no museu e levar a peça pra casa. Vc citou uma bolha que um dia elas vão sair e ter um choque de realidade, mas eu n acredito que elas saiam dessa bolha, pelo menos n tão cedo, e se um dia forem sair, elas ja serão grandinhas o suficiente para entender a situação, até porque, vc trata essas meninas como se elas nunca fossem crescer, fossem pensar como crianças para sempre.

    – e tbm não acho que as mães influenciem tanto assim, elas apenas apresentam o modo delas, mas as crianças tem muito mais personalidade do que vc pensa, é claro que algumas mães influenciam as filhas, mas nem todas conseguem, as crianças que não gostam não usam nada forçadas, ainda mais elas que são mimadinhas, as que não gostam não gostam e pronto, assim como tem mães que não usam maquiagem, até proíbem as filhas de usar e elas amam, como é o meu caso, fora que acho um total exagero vc falar em erotismo ou sexualidade, nessa idade elas não pensam em se arruma para os meninos, e sim para as amigas, para as mães, alias, nem as adultas se arrumam para os homens, um pouco sim é claro, mas vc acha q alguma mulher compra Prada pra um homem olhar? claro q não ela compra pras outras mulheres olharem.

    Concordo que as meninas tem que brincar mais e agirem como crianças, e que tem mães que exageram, mas acho tbm, que não é isso tudo, acho que vc está fazendo uma tempestade em copo d'agua.

  15. Olá Thamara,
    Inicialmente, obrigada pela visita ao meu blog e por ter se interessado tanto pelo artigo a ponto de escrever um comentário tão consistente. De fato, não me preocupo se falam comigo de forma autoritária, porque não tenho problemas de autoestima e portanto a autoridade só existe se existir alguém que se sinta subordinado e como não é meu caso, encaro seu texto não como autoritarismo, mas como uma saudável troca de ideias e como uma contribuição ao crescimento pessoal e mental de todos que lerem o comentário. Então, nem precisa se desculpar, porque não vejo autoritarismo nenhum nas suas palavras. Adoro um bom debate, leal e justo, em que cada um diz o que sente e o que pensa dentro das normas da boa educação e do respeito à diversidade de opiniões que existe no mundo. E é bem aí que discordo quando diz que “faço tempestade em copo d´água”. Primeiro, este é um blog – o que por si só caracteriza-se em site pessoal, subjetivo e pautado nas opiniões do autor (do blogueiro, neste caso, eu); por ser um blog jornalístico, também presta um serviço, mas só para quem se dispõe a ler, se alguém não quiser ler, não vai ser obrigado. Além disso, como jornalista e como mãe, é assim que vejo a situação e para defender meu ponto de vista, uso os argumentos que estão no texto e que os leitores não são obrigados a concordar. Em nenhum momento do texto digo que as mulheres se arrumam para os homens, se você acompanhar outros artigos do blog verá com mais clareza que tipo de visão do mundo é a minha. Mas tenha certeza, passa longe da “mulher bibelô” e da “mulher amelia”. Se vc não concorda com o artigo (uma modalidade de texto altamente subjetiva e pauta em opinião pessoal), é a sua opinião e o seu direito discordar e respeito muito isso. Por discordar, você irá argumentar o porque de pensar diferente e é assim que temos um debate. Agora, você e nem leitor nenhum tem direito de qualificar minha opinião, porque ela é minha. Não escrevi no intuito de convencer ninguém a ver o mundo da forma que eu vejo, apenas expressei o meu olhar sobre a questão, dei minha opinião sob a luz do meu entendimento. Algumas pessoas vão concordar e outras não. O grande nelson rodrigues dizia que “toda unanimidade é burra”, portanto, não desejo ser uma unanimidade porque não creio que as pessoas sejam burras, as pessoas só pensam diferente umas das outras, mas não são umas melhores que as outras. Grande beijo e obrigada, mais uma vez, pelo tempo que você dedicou tanto a ler o artigo quanto a tecer seu comentário em tópicos, embasando de forma muito equilibrada, suas opiniões sobre a questão.

  16. Thamara disse:

    Me desculpe se dei a impressão de estar qualificando sua opinião, só quis dizer q achei exagerada a maneira que vc colocou a situação.
    E sobre convencer as pessoas, querendo ou não vc influencia e convence as pessoas sim, essa é uma das principais funções da mídia, e mesmo quando não feita propositalmente, influencia as maneiras das pessoas pensarem sim !

    Mas é bom chamar atenção das mães para isso, é importante mesmo que as crianças tenham uma infância como ela deve ser, mas volto a repetir que apenas achei exagerada a maneira como vc colocou.

    Bjs

  17. Oi Thamara,
    O que quis dizer é que embora a mídia seja tida como formadora de opinião e o texto de um jornalista, logo, um profissional da mídia, tenha essa característica digamos “educativa” para formar a mente e a opinião das pessoas, nada disso é imposto. A mídia (e aqui estamos falando apenas de um blog na internet, não sou apresentadora de TV, por exemplo), tem todo esse “poder” como formadora de opinião porque as pessoas a quem ela se destina deram-lhe este poder. Meu artigo só vai “educar” ou formar a mente de alguém que esteja predisposto a concordar com o que digo. E só vai incomodar quem “vestir a caparapuça” ou quem tiver uma opinião contrária e for incapaz de aceitar a diversidade de opiniões existente no mundo. A mídia (e aqui falo no geral) não impõe nada e é um erro as pessoas acharem que ela tem mais poder do que de fato tem. Ela só existe porque nós queremos que exista, porque nós damos crédito ao que é dito e/ou mostrado, porque nós levamos adiante as discussões propostas. O jornalismo, que vale ressaltar é só um aspecto desse universo a que se chama mídia, apenas retrata a sociedade, levanta a discussão, joga o tema na roda do bate-papo para que as pessoas possam interagir, pensar por si mesmas, ponderar e contribuir com a discussão, ajudando (veja bem, apenas ajudando) a formar uma consciência mais cidadã nos membros da sociedade. Mas numa sociedade democrática, nada disso é imposto, não é uma ditadura, logo, não é com o objetivo de fazer todo mundo concordar comigo que eu escrevo. Óbvio que, se eu acredito em algo, usarei todos os argumentos para provar meu ponto de vista, mas concordar ou não, sempre vai depender do meu leitor. O que um jornalista que assina um artigo vai fazer é emitir uma opinião que irá ajudar a fazer outras pessoas pensaram na questão, mas de alguma forma a pessoa já tem uma sensibilidade para o tema ou um interesse, do contrário, serão apenas palavras jogadas nesse oceano que é a internet. Abraços e seja bem-vinda sempre que quiser participar do debate!

  18. Thamara disse:

    E novamente vc exagera quando diz : “incapaz de aceitar a diversidade de opiniões existente no mundo.”

    Apenas falei que vc colocou a situação de forma exagerada, e novamente acho que vc está fazendo tempestade em copo d’água, e veja bem, isso não é qualificar a sua opinião, e sim dar a minha, até pq eu tenho todo o direito de achar que alguém exagera e faz tempestade em copo d’água =]

    Bye

  19. Thamara,
    Acho que você é quem está exagerando no incômodo com o meu artigo! Quando eu disse “incapaz de aceitar a diversidade de opiniões existente no mundo”, não tava falando de você, especificamente, que eu sequer conheço (logo, não tenho direito de te julgar), mas apenas te dando um exemplo quando falo da mídia em geral, desse “poder” que as pessoas atribuem à mídia. Por gentileza, não destaque minhas frases do contexto em que elas foram escritas, porque palavras soltas são apenas palavras e dessa forma podem ser mal interpretadas e mal compreendidas, o que dá sentido às palavras é o contexto. A frase toda é essa aqui: “A mídia (e aqui estamos falando apenas de um blog na internet, não sou apresentadora de TV, por exemplo), tem todo esse “poder” como formadora de opinião porque as pessoas a quem ela se destina deram-lhe este poder. Meu artigo só vai “educar” ou formar a mente de alguém que esteja predisposto a concordar com o que digo. E só vai incomodar quem “vestir a caparapuça” ou quem tiver uma opinião contrária e for incapaz de aceitar a diversidade de opiniões existente no mundo.” Estou falando das pessoas em geral que tem o péssimo hábito de achar que elas tem direito de discordar e de impor sua discordância, mas não acham que o outro tenha o mesmo direito! O ser humano é engraçado demais, sempre o direito é dele e nunca do outro! Não estou falando de você, que repito, sequer conheço, da mesma forma que você também não me conhece para além do que está escrito no blog e é de domínio público. O que quero dizer com esta frase é que um texto, uma reportagem, um assunto, um artigo, uma opinião, só vai virar polêmica porque tem quem alimente a polêmica. Quando as pessoas apenas discordam de algo, elas exercem o direito democrático de ter uma opinião contrária e precisam ser respeitadas por isso. Todos temos direito a opiniões contrárias, é obvio! Mas quando as pessoas reagem de forma quase agressiva (estar na defensiva é uma forma de agressividade) a algo de que discordam, elas não estão exercendo o direito a ter opinião uma contrária, mas estão se mostrando incapazes de aceitar que no mundo haja opiniões contrárias a delas mesmas, estão sendo intolerantes, entende? Começamos este debate por conta de um texto que eu escrevi e que você não concorda. Você tem direito de discordar e até tem o direito de achar que “faço tempestade em copa d´água” sim, lógico; mas eu, como autora do artigo, como dona da opinião em questão (e continuo pensando exatamente a mesma coisa), tenho direito de discordar do que você pensa, não é? Da mesma forma que você não concorda com a minha opinião, eu não concordo com a sua a meu respeito e a respeito do meu artigo, a tempestade é minha, tenho direito de conjurar todas as nuvens que eu quiser para formá-la num copo ou num oceano! E vamos seguir nossas vidas e sermos felizes. Pode ser que em outro assunto, a gente concorde 🙂 Essa é a vida. Coloque-se no meu lugar, faça esse exercício, veja se você não argumentaria se uma leitora que você sequer conhece entrasse no seu blog e começasse a dizer que você faz “tempestade em copo d´água” apenas porque você, como jornalista, usou um espaço que é seu para dar sua opinião! O ser humano é um animal critico, dotado de razão, sempre vai emitir opinião sobre algum assunto, desde que se sinta confiante nos argumentos para tal. Alguns até, infelizmente, opinam sem ter domínio do tema. Lógico que você, se fosse autora do texto e da opinião, teria direito de contra-argumentar essa leitora, é ou não é? Agora, sempre, com respeito, sempre sabendo que, se duas pessoas após discutirem muito não chegam a um ponto comum, devem se retirar elegantemente da arena e seguir em frente, cada uma com sua crença e sua opinião, respeitando-se em campos opostos. Por isso, eu me retiro desse debate com você, porque acredito que ele é estéril, que nem eu vou mudar sua percepção do meu artigo (e não quero mudá-la) e nem você, tampouco, mais mudar minha forma de pensar sobre os sutiãs com enchimento para crianças e a erotização precoce. Então, vou seguir em frente com a minha opinião e te respeitando muito com a sua. Prova disso é que todos os seus comentários foram aqui publicados, de forma bastante democrática. Abraços!

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