Mania de Alice

Tim Burton pega emprestados os personagens e o mundo idealizado por Lewis Carrol para contar uma versão toda sua da história: o que aconteceria se Alice tivesse voltado ao País das Maravilhas depois de adulta? É ver no cinema.

Com a versão de Tim Burton para o clássico de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas, uma verdadeira alicemania, ou mania de alice
(como queiram) toma conta do mundo nos últimos tempos. Em se tratando de uma história com cerca de 150 anos, que não perde o ineditismo e nem a capacidade de suscitar debate, nada mais natural que Alice agora sirva de inspiração para todo tipo de ação, iniciativa e forma de expressão neste nosso mundo contemporâneo, já apelidado por quem teoriza a respeito de “canibalismo cultural”. Não gosto deste termo, porque um canibal, a meu ver, devora a presa, digere e pronto, transforma em excremento. Prefiro um termo menos radical como por exemplo, “reciclagem cultural”, porque nem tudo o que é resultado da transformação de um clássico pode ser enquadrado como excremento. Pensar assim é coisa de purista e preconceituoso, tento não ser nem uma coisa e nem outra. Adoro as referências, a mitologia moderna que bebe na fonte da antiga, com respeito, lógico, à propriedade intelectual e às devidas citações. Fora isso, nada mais é inédito no mundo (“tudo já foi inventado”), porque para criar, é preciso referências, a cultura se alimenta de si mesma, mas sempre, claro, com o devido respeito e créditos a quem de direito, senão, aí sim, vira canibalismo. Mas, não é bem disso que quero falar. O negócio e não deixa mesmo de ser um negócio, é que Alice está na moda, é up, na crista da onda e isso é muito bom (independente dos puristas se torcerem todos, coitados), pois as transformações modernas são também uma forma de conhecimento humano e claro, ao atualizar um clássico, desperta-se a curiosidade dos jovens leitores para a fonte “original” das ideias. Pois sim, deixando a filosofia de lado, que hoje eu estou impossível, confiram abaixo algumas reatualizações de Alice:

Alice no País das Maravilhas inspira Izabelle Nossa

Um exemplo na moda: Izabelle Nossa, proprietária de uma marca de bolsas super requisitada, recebe clientes na loja do Shopping Paseo Itaigara, nesta quinta, entre às 15h e às 21h, para apresentar uma nova coleção todinha inspirada no longa de Tim Burton. Durante o encontro, haverá ainda sorteio de camisetas customizadas e também inspiradas na Alice do diretor americano. É passar lá e conferir!

Alice no País da Poesia

Pois não é que depois de perambular pelo País das Maravilhas, atravessar o espelho, dar um giro pelo país da gramática de Monteiro Lobato, a menina Alice, inquieta como ela só, resolveu dar um passadinha no País da Poesia? Neste livro de Elias José, a personagem Alice é “flagrada” no momento em que descobre o mundo das palavras, enquanto vivia no “país das maravilhas”. Esse é o ponto de partida do autor na obra “Alice no país da poesia”, lançamento da Editora Peirópolis, já nas livrarias. São 33 poemas repletos de lirismo e encantamento, em imagens que remetem a grandes textos da literatura universal. O leitor segue em companhia de Sherazade, Peter Pan e Dom Quixote, além de um séquito de fadas e feiticeiras, duendes e sereias, reis e rainhas, príncipes e princesas, pássaros e cavalos mágicos. Um excelente exemplo do que eu estava falando lá no topo do post – a mitologia moderna que bebe na fonte da mitologia clássica.

Ficha Técnica
Alice no país da poesia

Autor:  Elias José

Ilustrações: Taisa Borges

Editora: Peirópolis

56 páginas

Preço: R$ 34,00

O mundo aliciano em debate

Ainda dentro da minha pequena seleção de “manias de alice”, uma dica de um encontro que deve acontecer em maio, aqui em Salvador, promovido pelo Clube do Livro Saraiva, em parceria com a Galeria do Livro, que fica no Espaço Unibanco/Glauber Rocha. Trata-se de uma reunião de amantes da literatura, para discutir alguns textos propostos: a edição pocket de Alice no País das Maravilhas; o livro Eu sou Alice, de Melanie Benjamim e o livro 1 da série Lost Girls, de Allan Moore e Melinda Gebbie (estes dois últimos, ainda não li e por isso não posso opinar). Sobre Alice, recomendo tanto a edição pocket da L&PM, quanto a comentada (maravilhosa!) da Jorge Zahar.

Alicemania também em audiolivro

Quem assistiu o filme O Leitor, com Ralf Fiennes e Kate Winslet, sabe que em determinado momento da história, o personagem de Fiennes começa a gravar sua leitura em voz alta de diversos clássicos da literatura mundial e enviar de presente para a personagem de Winslet, que cumpre pena numa penitenciária. Pois bem, a ideia do audiolivro é mais ou menos esta. Um livro gravado, para ouvir no carro, enquanto se dirige, para ouvir enquanto se faz alguma tarefa em casa, para ouvir no leito do hospital, ou antes de dormir, e mais ainda, para fazer com que pessoas cegas tenham uma opção de contato com a leitura além dos caracteres em braille, muito mais caros de imprimir do que o alfabeto de não cegos. Pois o site www.audiolivro.net.br está oferecendo a versão acústica de Alice no País das Maravilhas, por R$ 24,90.  Além do texto, toda a sonoplastia foi cuidadosamente elaborada para transportar o leitor até o mundo criado por Lewis Carrol. Em breve, a editora Audiolivro, responsável pelo site, também vai colocar a obra no mercado em versão CD.

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Mais Alice no blog:

Artigo: Mil faces de Alice no país da diversidade (publicado em agosto de 2009)

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