“Rodar a baiana”

Esse “causo” que divido com vocês me foi contado pelo jornalista Perfilino Neto, em 2001. Durante décadas Perfilino pesquisou a MPB e como todo bom jornalista, conhecia muitas e deliciosas histórias de bastidores. Se todas eram verdade ou pura lenda, quem é que sabe? Mas ai de nós se não existisse um pouco de fantasia em todo fato verídico e uma verdade escondida sob camadas de fantasia.

Durante uma conversa com ele para escrever sobre Carmem Miranda, me perguntou se eu, como baiana, conhecia a origem da expressão “rodar a baiana”. Respondi que não sabia a origem, mas prestativa, dei a tradução: rodar a baiana é quando a gente fecha o tempo, arma um barraco, dá um escândalo em público. Ele riu, a entrevista era por telefone, e me contou a sua versão para a origem da expressão: “Carmem Miranda não gostava de usar calcinha, dizia que incomodava. Ela se apresentava com sua indumentária de baiana estilizada, colorida, cheia de abacaxis na cabeça. Quando ela girava, dançando, em algumas situações, dava para perceber que não estava vestindo nada por baixo da saia, daí criaram a expressão, Carmem vai rodar a baiana”.

A expressão rodar a baiana teria surgido dos giros de Carmem Miranda

A expressão rodar a baiana teria surgido dos giros de Carmem Miranda


Encontrei outra explicação, igualmente fascinante, no Google: “No início do século passado, no Rio de Janeiro, os primeiros blocos de Carnaval saíam às ruas e cruzavam a cidade cantando e dançando com suas fantasias. Os mais afoitos se aproveitavam da euforia geral e tascavam beliscões nas moças. Para pôr um fim no abuso, no meio das baianas, iam uns capoeiristas vestidos como elas. Ao primeiro sinal de desrespeito, os capoeiristas soltavam uma meia-lua (golpe de capoeira) na orelha do espertinho. Quem assistia de fora não entendia muito bem, só via “rodar a baiana” e depois, o Deus nos acuda”.

Por que lembrei dessa história? Porque dizem por aí que de rodar a baiana as mulheres entendem. Confesso moças, que há momentos na vida que é preciso mesmo dar uma sacudida. Armar barraco não é bem o caso, mas pelo menos mostrar que nas nossas veias corre sangue.

Remexendo nos meus arquivos, prometo desenterrar pequenas pérolas, direto do túnel do tempo. As protagonistas, claro, meninas de ontem e de hoje.

Esse post foi publicado em Curiosidades e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para “Rodar a baiana”

  1. Pingback: A pequena notável faz 100 anos « Conversa de Menina

DEIXE UM COMENTÁRIO!!!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s