Mulheres a serviço do capital

Casar, ter filhos e passar o resto dos dias cuidando da família. Foi-se o tempo em que a realização feminina se restringia a estas três etapas. Questiono-me, até, se algum dia foi assim ou se a cobrança era tamanha que mulheres de épocas passadas se sujeitavam às regras para não acabar socialmente banidas.

Não que a era da modernidade tenha destruído os pilares para a construção de uma família tradicional. Não é isso. Aliás, muitas ainda sonham com o amor perfeito e um único filhote pra criar, fruto da idealização da família contemporânea feliz. É que hoje, além disso, projetam a realização profissional, com uma carreira bem-sucedida e independência financeira.

Outras, no entanto, declararam guerra aos padrões e lideram a luta por quebra de paradigmas. A procriação está fora dos planos, e casamento, nem pensar. Aos poucos, novas formas de convivência vão sendo criadas e, inclusive, regulamentadas pelo nosso sistema jurídico. O que é a união estável senão uma adaptação de mais um modelo de relacionamento?

Minha visão sobre o nascimento desta nova mulher talvez crie embaraços ao que muitos acham, pensam, ou defendem. Para mim, é uma doce ilusão crer que nossos novos papéis são apenas resultado das conquistas femininas das últimas décadas. Liberdade de escolha e emancipação, que nada, nos tornamos a princesinha dos olhos do capitalismo e do neo-liberalismo.

O fato é que precisávamos mudar para atender às novas necessidades de mercado. Claro que estas mudanças foram positivas em diversos aspectos. Hoje somos donas do nosso próprio nariz, viva! Mas, aliado a isso, nos tornamos mão-de-obra barata, integramos o grupo do mercado consumidor e fazemos a economia girar loucamente.

Loucamente mesmo, porque para manter a imagem da perfeição feminina que é vendida nos outdoors mundo afora, haja consumo.

Sobre Alane Virgínia

Apaixonada por livros, letras, sons, imagens e pessoas. Advogada por vocação e jornalista nas horas vagas.
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3 respostas para Mulheres a serviço do capital

  1. Vívian Almeida disse:

    Olá,

    Realmente, a nossa mão de obra por mais que qualificada é mais barata do que a dos homens, na maioria das vezes trabalhamos fora e dentro de casa, corremos para manter tudo em dia.

    Depois ainda tem o consumo, onde as revistas valorizam belas mulheres por seus corpos, sem citar mulheres que deveriam ser valorizadas pelo seu intelecto ou desempenho no trabalho.

    Encontrei uma reportagem interessante sobre o custo da mão de obra feminina.

    http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/2485

    Um abraço!

  2. Pingback: De onde vem a família moderna « Conversa de Menina

  3. David disse:

    Somos um produto do meio e reproduzimos o meio. Não há mudança radical por motivo realmente nobre, o fato é que com o tempo as coisas mudam naturalmente pra sustentar o mesmo de sempre, talvez sobre condições melhores, porém as bases são sempre as mesmas.

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