Violência contra a mulher

Da janela de uma residência em um bairro popular de Salvador, capital baiana, uma cena chocante: ela, aos puxões de cabelo, tapas, chutes e empurrões, era obrigada por ele, o marido, a entrar em casa. Vergonhosamente, confesso que há algum tempo já tive uma visão bem medíocre sobre o assunto. Se não gosta de apanhar, saia de casa. Largue ele. Para mim, era fácil assim. Até me debater com a psicologia jurídica.

Estas mulheres são vítimas de um tipo de sociedade que preza por valores imorais. O problema começa lá na nossa Constituição, que coloca o patrimônio no mesmo patamar de importância de bens tão fundamentais como a vida, a dignidade e a liberdade. Por aí já dá para perceber em que terreno estamos pisando.

Marcas invisíveis – A questão não se refere apenas às lesões físicas, que deixam marcas visíveis aos olhos do mundo. Talvez a pior lesão seja aquela causada pelas ameaças, humilhações, pela intimidação, pelo desrespeito público. Estas mulheres, que muitas vezes criticamos e julgamos, precisam de outro tipo de reação social.

Elas precisam de uma reação de enfrentamento. Precisam de apoio psíquico e social, de tratamento direcionado à recuperação da auto-estima, de colocação no mercado de trabalho, de proteção, de um atendimento mais humanizado e qualificado. Elas precisam de um acompanhamento multidisciplinar, que atue por vertentes diversas. 

Nosso papel – Essa é uma questão importante, que precisa ser foco de discussão o tempo inteiro. A imprensa tem um papel importante nisso, mas nós, simples mortais, precisamos abraçar a causa e lutar por ela. Vamos pesquisar mais, ler mais, conhecer o problema, criar intimidade com ele e tentar combatê-lo com as armas que possuímos. Este é um problema de saúde pública e poucos conseguem enxergar isso com clareza.

O problema em números:

*15% das brasileiras entrevistadas declararam espontaneamente já ter sofrido algum tipo de violência (DataSenado 2007)

*Apenas 40% das mulheres brasileiras denunciam o agressor (DataSenado 2007)

*Maridos e companheiros foram os responsáveis por 87% dos casos de violência doméstica no nosso País (DataSenado 2007)

*A cada 15 segundos uma mulher é espancada no Brasil (Fundação Perseu Abraão/2007)

*De cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim de sua vida (Anistia internacional/2007)

*Em todo o mundo, em 60% dos casos o agressor é o marido ou companheiro (OMS/2005)

Artigos interessantes:

>> Intimate partner violence (OMS)
>> Lei Maria da Penha
>> Atendimento psicológico: o que pensam os gestores municipais do SUS
>> Políticas públicas
>> O papel do sistema judiciário
>> Encontre mais textos sobre o assunto

Onde buscar apoio e informações

>> Portal Violência Contra a Mulher
>> Redes de atendimento na Bahia (e em outros Estados também)
>> Deam – Delegacia Especial de Atendimento à Mulher em Salvador

Opine:

Você já sofreu algum tipo de violência? Conhece alguém que já tenha sofrido? Compartilhe sua experiência, deixe seu depoimento, comente. Vamos tentar mudar essa realidade. Aqui o espaço é de vocês.

Sobre Alane Virgínia

Apaixonada por livros, letras, sons, imagens e pessoas. Advogada por vocação e jornalista nas horas vagas.
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6 respostas para Violência contra a mulher

  1. Pingback: Violência sutil, mas ainda assim, violência « Conversa de Menina

  2. Ana Portella disse:

    Em Salvador, já foi implantada a Vara de Violência Doméstica e Familiar, que além do apoio jurídico, também presta atendimento com uma equipe de psicólogos e assistentes sociais, inaugurada mês passado na Rua Conselheiro Espínola, nos Barris.

  3. alane disse:

    Obrigado pela dica, Ana.

  4. Pingback: A violência que faz calar « Conversa de Menina

  5. jss disse:

    De qualquer forma a maioria das mulheres sofrem agrecão de
    seus parceiros moralmente,fisicamente e psicologicamente, por um motivo ou por outro,e apesar de se ver mulheres sendo agredidas pelas ruas,hospitais,postos de saúde e etc…As pessoas ainda tem medo de denuciar e muitos acham q elas merecem, pq acham q elas passam por esta situação pq gostam se a cada ano recebecemos em nossa casa uma pessoa: Pisicologa,agente policial,asitente social etc… Facilitaria muito para nós mulheres ,sos.Sei q o gasto seria muito para o governo porem evitaria muitos crimes contra a mulher.

  6. É, jss… o combate ao problema da violência contra a mulher precisa de políticas públicas urgente e de conscientização da sociedade quanto à necessidade de denunciar as agressões. O problema maior é a insegurança que ronda as mulheres… o medo do que pode acontecer caso denunciem, o receio de não terem para onde ir, de não terem apoio… como integrantes da sociedade, e como mulheres, precisamos levantar a bandeira contra a violência e fazer nossa parte para essa realidade mudar.
    Um grande abraço!
    Alane

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